NOTÍCIAS

Temer e aliados tentam regime de urgência para que senadores aprovem projeto ainda em julho. “Querem vender 70% de 5 bihões de barris de petróleo este ano, no fim de um governo", diz dirigente da FUP

notice

FOTO: Agência Petrobras

Após a conclusão, na Câmara dos Deputados, da votação do Projeto de Lei (PL) 8.939/17, que possibilita à Petrobras vender 70% dos direitos de exploração do pré-sal em cessão onerosa da Bacia de Santos, a expectativa é de que o governo Michel Temer tente aprovar a proposta no Senado a toque de caixa.

A intenção do governo e sua base é levar o texto à votação no dia 11, em regime de urgência, e em seguida já aprovar o mérito. “Eles querem fazer tudo isso enquanto o país está em clima de Copa do Mundo”, diz o coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Simão Zanardi. 

Na semana passada, o Tribunal de Contas da União (TCU) publicou uma instrução normativa no Diário Oficial da União pela qual estabelecia regras para licitações.

Por exemplo, exigindo que o governo enviasse todas as informações referentes a processos licitatórios 150 dias antes da publicação do edital. Com essas normas, o chamado megaleilão do pré-sal seria inviabilizado, já que está marcado para 29 de novembro.

Porém, na tarde de ontem (4), o TCU criou nova regra pela qual retira esse empecilho. O tribunal estabeleceu que essa regra só passa a valer a partir de 2019. Com isso, o leilão continua marcado para o dia 29 de novembro.  "Isso foi um golpe", afirma Zanardi.

A FUP fará um corpo a corpo junto aos senadores pela soberania brasileira, apelando aos parlamentares sobre os incalculáveis prejuízos decorrentes da sanção de um projeto que permitirá o leilão de 70% de 5 bilhões de barris de petróleo, que ficarão sob domínio das petroleiras internacionais.

“Querem vender isso este ano, em final de um governo. Vamos ter eleição em outubro. É preciso que os senadores pensem nos brasileiros e nas gerações futuras. O pré-sal é do povo brasileiro e deve ficar com a Petrobras, para investir na geração de riqueza para ter mais emprego, renda e habitação”, acrescenta o dirigente.

O senador Humberto Costa (PT-PE) admite que a tarefa da oposição não é fácil, “porque o governo tem maioria folgada” no Senado. “Mas também há muita gente com uma preocupação grande com a forma como os recursos de petróleo do Brasil vêm sendo administrados.”

A oposição trabalha com a estratégia de evitar que o governo vote o pedido de urgência antes do recesso, previsto pelo site do Senado para começar em 18 de julho. “Se conseguirmos fazer esse debate chegar à população, podemos impedir a votação antes da eleição”, avalia o senador.

“O que vamos fazer é conversar com os senadores sobre esse grande feirão que o Temer quer fazer do nosso petróleo. Eles querem fazer um leilão de R$ 100 bilhões”, acrescenta Zanardi.

A cessão onerosa abrange uma área do pré-sal comprada pela Petrobras da União por R$ 75 bilhões em 2010. Há duas semanas, após a aprovação do projeto pela Câmara dos Deputados por 217 votos a 57, o coordenador-geral licenciado da FUP, José Maria Rangel, afirmou que a decisão dos deputados “fecha o ciclo de toda entrega do pré-sal ao capital internacional”.

Ele lembrou que esse ciclo foi iniciado com o Projeto de Lei do Senado (PLS) 131/2015, do senador José Serra (PSDB-SP), que revogou a obrigatoriedade da participação da Petrobras na exploração do petróleo da camada do pré-sal. Aprovado no Congresso, o projeto se transformou na Lei n° 13.365/2016, sancionada por Temer em 30 de novembro de 2016.

 

FONTE: CUT / Escrito por Eduardo Maretti

Publicado em Notícias

Existe o interesse dos acionistas que querem maximizar os lucros para que fiquem mais ricos e existe o interesse nacional. Para o economista Guilherme Mello, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a política adotada pela gestão de Pedro Parente, presidente da Petrobras, sob comando de Michel Temer (MDB) trilha pela primeira opção.

O aumento expressivo dos combustíveis em curto espaço de tempo desencadeou protestos de caminhoneiros, que começa a desencadear uma crise no abastecimento do país. O protesto entra no quarto dia nesta quinta-feira (24) e, segundo avalia o economista, se não houver uma solução negociada o país para nesta sexta.

Para o economista, é essencial que o governo mude a política de precificação dos combustíveis para acabar com a crise. "É importante dar estabilidade para esse insumo que é fundamental. No Brasil, os combustíveis abastecem toda a frota que leva cargas, já que temos basicamente caminhões (...) Essa política só beneficia acionistas e o mercado financeiro", disse à Rádio Brasil Atual.

O processo de privatização da Petrobras é um dos fatores, de acordo com Mello, para essa política adotada pelo governo. "Em um processo de privatização – essa é a verdade, a Petrobras está sendo vendida e o governo não tem coragem de fazer isso de uma vez, porque as pessoas sabem que ela é um ativo valioso – essa política atual de valorização é maravilhosa. Você sobe as ações da empresa porque aumentam os lucros e então você vende ela."

"Do ponto de vista do interesse nacional, é preciso reverter essa lógica privatista. Tanto na política de preços quanto na venda. Estão vendendo poços do pré-sal em um momento em que o petróleo está valorizando Estamos entregando riquezas para o interesse estrangeiro", continuou o economista.

Uma solução é difícil a curto prazo se a condução da estatal seguir dessa maneira, mas existem mecanismos. "Temos a empresa que produz petróleo. Não digo para segurar o preço para sempre, mas temos a condição de manter a estabilidade em momentos de forte volatilidade. Assim como o dólar sobe, ele cai. Assim como o preço do barril de petróleo sobe, depois ele cai. É possível, por algum período, ajustar muito mais lentamente para dar estabilidade e acomodar os setores."

A redução do imposto da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), como foi proposto pelo governo Temer, possui pouca eficácia, de acordo com Mello. "Outras medidas de cunho tributário podem ser pensadas, mas elas são limitadas. Um dos maiores pesos tributários sobre combustíveis é o ICMS, que é de nível estadual. É muito mais difícil reduzir ele do que a Cide que é pouco relevante. Tirar a Cide impacta pouco na bomba e discutir o ICMS impacta no pacto federativo e no caixa dos estados, já abalado", explicou.

Futuro sombrio
Para o economista, o próximo pesadelo que o país pode enfrentar tem relação com a Eletrobras, que está em vias de ser privatizada. "Se privatizar, a volatilidade de preços vai aumentar. A lógica de precificação do agente privado não calcula o que é melhor para o país, mas o que é melhor para eles mesmo. No caso da Eletrobras, você vai privatizar o fluxo dos nossos fios. Se for privatizado, abriremos mão do controle de diversas áreas."

"Boa parte da nossa energia é feita através de hidrelétricas. A gestão do regime de águas tem que ficar na mão do poder público. Podemos ter secas mais prolongadas e isso não pode seguir uma lógica puramente privada. Podem falar de agências reguladoras, mas é clássico elas serem capturadas pelo regime privado. Estamos abrindo mão do petróleo e da água, dois insumos essenciais", disse.

Outro detalhe assombroso é o fato de os defensores da lógica privatista afirmarem que o mercado se regula de forma mais eficiente. "Estamos entregando áreas estratégicas para investidores estrangeiros e, muitas vezes, estatais em seus países. Quando você privatiza, fala que o Estado é ruim, não funciona, ai você vende a Petrobras para estatais chinesas e europeias. São estatais assim como a Petrobras."

Fonte: Redação RBA

Foto: Agência Brasil/EBC

Economista e professor da Unicamp afirma: "gestão voltada para o mercado de capitais afeta combustíveis"

Publicado em Notícias

Como parte do desmonte, a gestão da Petrobras reduziu as cargas das refinarias, que estão produzindo com menos de 70% da capacidade

notice

Com participação da FUP e de seus sindicatos, foi lançada nesta quarta-feira, 20, na Câmara dos Deputados Federais, em Brasília, a Frente Parlamentar em Defesa das Refinarias da Petrobras, mais uma importante trincheira de resistência contra a privatização da empresa. A Frente é presidida pelo deputado federal Bohn Gass (PT-RS) e conta com a participação de mais de 200 parlamentares de diversos partidos e estados do país.

Durante a cerimônia de lançamento da Frente Parlamentar, o economista do Dieese e assessor da FUP, Cloviomar Cararine, fez uma apresentação, explicando a relação direta entre a proposta da Petrobras de venda das refinarias, dutos e terminais com a política do governo Temer de escancarar para as empresas estrangeiras o mercado brasileiro de combustíveis, que é um dos mais importantes no mundo.  

O modelo de privatização das refinarias da Petrobras foi desenhado para entregar inicialmente ao setor privado o controle acionário das refinarias do Nordeste e do Sul do país, em dois grandes pacotes de ativos, que incluem duas refinarias em cada região, além de todo o sistema de logística da Transpetro para distribuição e escoamento dos derivados produzidos por elas.

O ativo Sul inclui as refinarias Alberto Pasqualini (REFAP/RS) e Presidente Getúlio Vargas (REPAR/PR), sete terminais e 736 km de oleodutos. O ativo Nordeste oferece ao mercado as refinarias Landulpho Alves (RLAM/BA) e Abreu e Lima (RNEST/PE), além de cinco terminais e 770 Km de oleodutos.

Juntas, as quatro refinarias que estão sendo vendidas representam 36% da capacidade de refino do país e são responsáveis por abastecer toda região Sul, Norte e Nordeste, além de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

Acesse aqui a íntegra da apresentação da FUP/Dieese

Desmonte das refinarias beneficia importadores de combustíveis

Como parte do desmonte, a gestão da Petrobras reduziu as cargas das refinarias, que estão produzindo com menos de 70% da capacidade. Algumas unidades estão operando com metade de sua capacidade, como é o caso da RLAM, na Bahia. Por outro lado, o país está sendo inundado por combustíveis importados, vindos principalmente dos Estados Unidos.

“Ficou evidenciado aqui que essa lógica perversa da Petrobras internacionalizar os preços dos combustíveis e termos que comprar lá fora o que poderíamos produzir no país é para enfraquecer a Petrobras e as refinarias”, afirmou o deputado Bohn Gass. “Isso tudo é planejado para privatizar a empresa”, revelou, anunciando que a Frente Parlamentar em Defesa das Refinarias será “o combustível na mobilização da luta pela soberania, em defesa da Petrobras e do nosso petróleo”.

“Reconhecemos que o tema com que vocês (petroleiros) trabalham, do ponto de vista dos combustíveis, é estratégico e determinante para o país. Não há economia a ser desenvolvida, não há projeto de desenvolvimento descasado da questão dos combustíveis. E nós comprarmos de petrolíferas privadas o que nós podemos produzir aqui através da Petrobras é algo criminoso. A indignação com tudo isso é o que nos mobiliza”, anunciou o presidente da Frente Parlamentar.

FUP anuncia atos em defesa das refinarias

O coordenador geral da FUP, Simão Zanardi Filho, convocou os parlamentares a somarem forças com os petroleiros nas mobilizações que a Federação e seus sindicatos farão ao longo do mês de julho, com atos em todas as quatro refinarias que estão em processo de venda. Na primeira semana do mês, a mobilização será na RLAM (BA), com data ainda a ser confirmada entre 02 e 04/07. Na semana seguinte, será a vez da REFAP (RS), cuja mobilização será no dia 12/07. Em seguida, haverá atos na REPAR (PR), no dia 17/07, e na Abreu e Lima (PE), no dia 26/07.

Greve para que a Petrobras volte a abastecer o país

“Estamos com uma greve aprovada a ser marcada pela FUP e vamos nos reunir no dia 18 de julho para decidirmos os próximos passos na construção deste movimento histórico que os petroleiros estão organizando”, anunciou Zanardi, alertando os parlamentares para o objetivo central da greve.

“Nossa greve não é para desabastecer o país, como está fazendo o governo Temer com essa política de desmonte que reduziu a carga das refinarias e elevou os preços dos combustíveis e do gás de cozinha, obrigando milhões de brasileiros a voltarem a cozinhar com lenha e carvão. Nossa greve é para que as refinarias voltem a operar com carga máxima e a Petrobras possa voltar a cumprir a sua missão, que é abastecer o povo brasileiro, de norte a sul do país”, declarou o coordenador da FUP.

 

FONTE: CUT / Escrito por FUP

 

Publicado em Notícias

Que país sério, soberano e preocupado com seu povo e o desenvolvimento do país entregaria reservas petrolíferas a estrangeiros? O Brasil, sob o governo do presidente Michel Temer (MDB). Foi isto que a Câmara dos Deputados fez no início da noite desta quarta-feira (20) ao aprovar, por 217 votos a 57 e 4 abstenções, o PL 8.939/17, do deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), que autoriza a Petrobras a negociar com outras empresas parte dos seus direitos de exploração de petróleo do pré-sal na Bacia de Santos, área cedida sem licitação pela União em 2010, por meio de cessão onerosa.

Foto: Agência Petrobras

plataforma petrobras

O texto aprovado é 1 Subemenda Substitutiva Global do deputado Fernando Coelho Filho (DEM-PE) para o projeto, do deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA). A matéria também disciplina critérios para a revisão do contrato de cessão onerosa entre a União e a Petrobras.

Em seguida, os deputados começaram a debater os destaques apresentados na terça-feira (19), 16 ao todo, ao texto. O 1º destaque foi do PSB e pedia a aprovação de emenda do deputado Tadeu Alencar (PSB-PE), que previa a proibição de a Petrobras transferir áreas com unidades de produção contratadas e construídas pela empresa até 31 de dezembro de 2018. Foi rejeitado por 205 a 53.

Rejeitou também, por 239 votos a 27, emenda do deputado Afonso Motta (PDT-RS), que pretendia estabelecer em 45% o mínimo de participação da Petrobras nessas transferências e fixar em 70% a participação da União, em óleo equivalente, no leilão dos barris excedentes aos 5 bilhões das áreas de cessão onerosa.

Outra emenda rejeitada, por 232 votos a 20 e 5 abstenções, do deputado Carlos Zarattini (PT-SP), pretendia exigir o pagamento em 60 dias, pelo vencedor do leilão, do bônus de assinatura referente aos contratos de exploração de óleo excedente.

Foi rejeitado também, por 226 votos a 30 e 2 abstenções, destaque do PSol e manteve-se no texto a permissão para a Petrobras transferir a titularidade de até 70% do petróleo que pode extrair da área de cessão onerosa.

O plenário finalizou as votações desta quarta rejeitando a emenda do deputado Zarattini, que pretendia fixar em 20% os royalties devidos pelas petroleiras às quais a Petrobras transferir a titularidade de exploração do petróleo das áreas de cessão onerosa. Assim, em razão da queda do quórum, a continuidade da votação dos destaques foi adiada.

Contencioso
Para os partidos contrários à proposta, a Petrobras será prejudicada em benefício de empresas estrangeiras. O deputado Zarattini avaliou que a Petrobras vai perder o direito sobre parte do pré-sal e, portanto, seu valor de mercado. “Nessa área, não existe risco algum de se fazer 1 poço. Todos sabem que 1 poço de petróleo, nessa região, será pleno de sucesso. E é isso o que esse governo agora quer entregar de mão beijada às empresas multinacionais do petróleo”, criticou.

Já os deputados favoráveis ao texto argumentaram que, sem a parceria com outras empresas, a Petrobras não tem condições de explorar o petróleo da Bacia de Santos. “Veja, o debate aqui é simples. A Petrobras não dá conta de executar a exploração”, disse o deputado Marcos Rogério (DEM-RO).

A Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet) também se manifestou contrariamente à aprovação do projeto de lei, argumentando que “fere a própria essência da Lei 12.276/10, representa quebra do Contrato de Cessão Onerosa e não apresenta nenhum mérito. Pelo contrário, essa proposição é, na verdade, uma afronta ao interesse público. Em suma, transfere para empresas multinacionais as vantagens oferecidas à Petrobras”, consumando-se, desta forma, em crime de lesa-pátria.

Patrimônio de R$ 500 bi pertence à Petrobras
Segundo levantamento feito pelo consultor Paulo César Lima, especialista em Petróleo e Energia, o PL 8.939/17 permite às petrolíferas privadas se apropriarem de R$ 500 bilhões que a estatal brasileira poderá garantir ao longo dos próximos anos com a exploração das reservas contratadas pela cessão onerosa. Os principais investimentos da Petrobras são voltados justamente para essas áreas, cuja produção em 2022 já deve ultrapassar um milhão de barris de petróleo por dia.

“Como grande parte das unidades da cessão onerosa já estão contratadas e entrarão em operação no curto prazo, produzindo petróleo com altíssima rentabilidade, conclui-se, então, que carece de qualquer lógica, a Petrobrás transferir a titularidade dessas áreas, como proposto pelo Projeto de Lei 8.939, de 2017”, alerta Paulo César no estudo encaminhado aos deputados federais. “Em 2022, a receita líquida da Petrobrás apenas com a produção de cerca de 1 milhão de barris de petróleo por dia sob o regime de cessão onerosa será de 15,7 bilhões de dólares”, explica o consultor.

Além dos prejuízos que a Petrobras e a União amargarão, o estado e os municípios do Rio de Janeiro serão também fortemente impactados, pois, segundo Paulo César, o substitutivo do deputado Fernando Coelho Filho (DEM-PE), que é relator do projeto e ex-ministro de Minas e Energia, amplia o projeto para as reservas excedentes da cessão onerosa, que podem chegar a 15 bilhões de barris de petróleo. Com isso, as empresas que se apropriarem dessas reservas estariam isentas de pagar Participações Especiais, o que resultaria em perdas de R$ 80 bilhões em isenções fiscais que sangrariam ainda mais o já sofrido povo do Rio de Janeiro.

Para denunciar mais esse escandaloso golpe contra a população, a FUP e seus sindicatos, com os parlamentares que se opõem ao PL 8.939/17, realizaram às 18 horas twitaço com a hastag #MaiaTraioRio, que foi 1 dos assuntos mais comentados da rede social. Os petroleiros pressionaram até a última hora em Brasília, os deputados para o que o projeto não fosse votado.

 

FONTE: DIAP

Publicado em Notícias

Petrobras: o mito de uma empresa quebrada

Protagonista na economia brasileira, Petrobras é alvo do mito de que estaria quebrada financeiramente. À mesa do painel, Paulo César Lima, Francis Bogossian, Pedro Celestino, Cláudio Lima e Felipe Coutinho. 
Foto: Fernando Alvim

Empresa brasileira no rol das mais valiosas em ações, uma das líderes mundiais no setor de petróleo e gás e símbolo do nacionalismo que impulsionou a industrialização do Brasil nos anos 1950, a Petrobras tem reconhecido protagonismo na economia brasileira. Nos últimos anos, no entanto, tem sido alvo de narrativas que distorcem sua real situação financeira, que permanece saudável mesmo diante de casos de corrupção. Para discutir o mito de que a empresa está "quebrada" e, portanto, deveria privatizar suas subsidiárias, o Clube de Engenharia e a Associação dos Engenheiros da Petrobras (AEPET) realizaram, em 5 de junho, o painel "O mito da Petrobras quebrada, política de preços e suas consequências para o Brasil". Foram convidados para o evento Cláudio Oliveira, economista aposentado da Petrobras; Felipe Coutinho, presidente da AEPET; e Paulo César Ribeiro Lima, doutor em Engenharia Mecânica, ex-pesquisador líder do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), da Petrobras, e atual consultor legislativo para o setor de petróleo e gás na Câmara dos Deputados.

"Queremos discutir a farsa do desmonte da Petrobras e as consequências nefastas da política que vem sendo implementada na empresa para fazer com que ela deixe de cumprir o papel histórico que tem desde que foi criada, na década de 1950: o papel de garantir ao país e à sociedade o suprimento de combustíveis e petroquímicos, a segurança, para que possa haver o desenvolvimento em nossa terra", afirmou Pedro Celestino, presidente do Clube de Engenharia, na abertura do evento. "Estamos sujeitos a um processo de desmonte que nos remeterá, se não for sustado pela sociedade, ao tempo que esse país importava tudo. Voltaremos à condição colonial, de exportadores de matérias-primas, de óleo bruto e importadores de refinados e de petroquímicos", alertou. "É preciso defender políticas públicas que assegurem a preservação desse patrimônio que é a Petrobras, em benefício do nosso povo".

Auditório cheio evidenciou a relevância dos temas tratados no painel. Foto: Fernando Alvim

Auditório cheio evidenciou a relevância dos temas tratados no painel. 
Foto: Fernando Alvim

Finanças robustas

O economista Cláudio Oliveira, sócio honorário da AEPET, realizou um retrospecto do enquadramento que alguns profissionais da mídia deram sobre Pré-Sal em diferentes reportagens, de início desqualificando a descoberta da Petrobras, depois duvidando da capacidade da petroleira de extrair o óleo nessa camada, e ainda criticando o custo inicial da extração, que naturalmente foi se tornando mais baixo à medida que novas tecnologias eram desenvolvidas. Em 2015, segundo Cláudio, uma desvalorização muito grande do real frente ao dólar levou ao crescimento da dívida da Petrobras, uma vez que 80% desses débitos eram em moeda estrangeira. Esse seria o elemento inicial para gestação do mito de que a estatal estaria "quebrada". "Disseram que a Petrobras tinha uma dívida impagável, a maior dívida de todas as petroleiras, e que, por isso, ela não teria condições de explorar o Pré-Sal", disse Cláudio. O enquadramento enviesado continuaria, com a narrativa crescendo e atingindo viés entreguista. "O ano de 2016 terminou e não houve nenhum acordo judicial ou aporte de recursos do Tesouro para a Petrobras. Ao contrário: a Petrobras adiantou 20 bilhões de reais para aliviar o caixa do BNDES, terminou o ano com crédito de 6 bilhões de reais com a Eletrobras e 11 bilhões de dólares para receber em venda de ativos. Além disso, possuía em caixa 22 bilhões de dólares. Que empresa quebrada é essa?", questiona Oliveira.

Cláudio Oliveira, economista aposentado da Petrobras, trouxe dados que atestam a robustez financeira da estatal. Foto: Fernando Alvim

Cláudio Oliveira, economista aposentado da Petrobras, trouxe dados que atestam a robustez financeira da estatal. 
Foto: Fernando Alvim

"Um dos principais indicadores que demonstra a saúde financeira de uma empresa é a geração operacional de caixa, isto é, o que sobra depois que a empresa cobre todos os seus custos e despesas. É o que sobra para pagar o serviço da dívida, fazer investimentos, pegar dividendos etc. De 2012 em diante, essa geração operacional de caixa da Petrobras se manteve linear. A corrupção, que dizem que afetou a Petrobras, não afetou a geração operacional de caixa", afirmou o economista. Este caixa, em 2012, fechou em 27,04 bilhões de dólares, mantendo-se entre 25 e 27 bilhões até o ano passado, quando atingiu 27,11 bilhões de dólares, valor mais alto do período. "Em 2016, a Petrobras teve a maior geração operacional de caixa em comparação com todas as outras grandes petroleiras", salientou o economista. Outros dados, como retorno financeiro sobre vendas e liquidez corrente, corroboram a saúde financeira da estatal, principalmente se comparada com outras petroleiras.

A política de preços praticada pela Petrobras na gestão de Pedro Parente (2016-2018) não teve efeitos positivos sobre a geração operacional de caixa da petroleira, afirmou Oliveira. Para o economista, a gestão no período se preocupou mais em enxugar as atividades da empresa, preparando vendas de ativos, do que fortalecer a estatal e a exploração do Pré-Sal. 

Consequências da política de preços

Felipe Coutinho, presidente da AEPET, afirmou que foi o mito de que a Petrobras estaria quebrada que embasou as mudanças, em outubro de 2016, na política de preços adotada pela empresa, política esta direcionada para os planos de privatização da estatal. "Foi tudo justificado em cima do mito de que ela teria quebrado graças aos subsídios, à corrupção e aos maus investimentos. O que temos feito é desmistificar tanto a quebra quanto dar clareza aos efeitos dos subsídios, da corrupção e dos investimentos, apresentando números à sociedade para que eles sejam discutidos fora da percepção mitológica que é repetida na mídia e que cria um senso comum de claros interesses anti-nacionais", salientou.

Felipe Coutinho, presidente da AEPET, abordou consequências da política de subsídios sobre combustíveis e as alterações realizadas na gestão Pedro Parente. Foto: Fernando Alvim

Felipe Coutinho, presidente da AEPET, abordou consequências da política de subsídios sobre combustíveis e as alterações realizadas na gestão Pedro Parente. 
Foto: Fernando Alvim

A estratégia de adotar uma política de preços alinhada ao mercado internacional fez com que eles subissem, já que passaram a ser acrescidas parcelas de internalização, de risco e de lucro do importador, explicou Coutinho. Consequentemente, houve a viabilização da importação por concorrentes da Petrobras, levando a estatal a perder mercado e aumentar a ociosidade nas refinarias, que chegaram a operar com apenas 25% da capacidade instalada. No primeiro trimestre deste ano, essa taxa esteve em 28%.

A exportação de petróleo cru disparou, enquanto que a importação de derivados refinados bateu recordes. O diesel, por exemplo, teve sua importação multiplicada em 1,8 vezes desde 2015, sendo que, deste ano até 2017, a importação de combustível vindo dos EUA passou de 41% para 80% do total que chegou ao Brasil. "Essa constatação foi feita pela AEPET e publicada em dezembro de 2017, portanto um alerta antes da crise decorrente da greve dos caminhoneiros. Ganharam os produtores norte-americanos, os traders multinacionais e os importadores e distribuidores de capital privado no Brasil. Perderam os consumidores brasileiros, a Petrobras, que perdeu mercado, e a União e estados, impactados com a queda na arrecadação. É por isso que batizamos essa política de 'America First' ou 'Os Estados Unidos primeiro'", disse Coutinho.

Segundo o presidente da AEPET, o preço do diesel em relação ao petróleo se eleva quando os preços do petróleo estão mais baixos, e cai quando o petróleo se valoriza. Entre 2011 e 2014, com a política de subsídios da Petrobras, que não transferiu a elevação dos preços internacionais ao mercado interno como forma de conter a inflação, o preço do diesel se aproximou do preço do petróleo. Em 2015 a diferença relativa aumentou, e entre 2016 e 2017, sem os subsídios e com a nova política, tornou-se a maior no período, acima do padrão internacional. Essa elevação do preço relativo do diesel aos produtores e importadores também levou à redução da ocupação do refino no Brasil, gerando ociosidade e viabilizando a importação de derivados, o que tem impactado os resultados operacionais da Petrobras, fato admitido em seus relatórios financeiros.

"Entendemos que uma empresa estatal pode, e deve, ter outros objetivos além de maximizar seus lucros no curto prazo, postura típica das multinacionais privadas controladas por agentes do sistema financeiro. O desenvolvimento e a segurança energética nacionais estão entre os objetivos típicos das estatais do setor. Ainda assim, a AEPET reconheceu excessos e erros na política de preços praticada entre 2011 e 2014", salientou Coutinho.

"Cabe agora avaliar a quem os subsídios anunciados pelo governo [como forma de contornar a greve dos caminhoneiros] servirão. Os subsídios do Estado aos produtores e importadores para que os consumidores possam pagar pelo diesel viabiliza o negócio dos próprios importadores. Na verdade, essa subvenção, que é apresentada como ao consumidor, é paga com impostos regressivos aos importadores de diesel. Então os subsídios são para quem? Para os consumidores ou para os agentes privados e estrangeiros da cadeia de importação?", questionou Coutinho. Como alternativa, diz ele, a Petrobras poderia arbitrar preços justos, compatíveis com seus custos e mais baixos ao consumidor, recuperando o mercado perdido e impulsionando o crescimento da cadeia de petróleo e gás. Os consumidores seriam beneficiados com os preços baixos e, se fosse necessário reduzir impostos para os combustíveis, estes poderiam ser compensados com aumento de impostos na exportação de petróleo cru e importação de derivados. "É uma substituição tributária que vai na direção do fortalecimento da economia nacional", avaliou. 

Felipe Coutinho ainda afirmou que a crise, relativa ao preço do diesel, é resultado da antecipação desnecessária de um problema que é inevitável: o fim do petróleo convencional e barato de se produzir. "Cabe, portanto, o alerta de que o problema é incontornável, mesmo que nos livremos desta política no curto prazo", finalizou ele. 

Valores

"O petróleo é um bem da União e, portanto, do povo brasileiro. Se o seu preço sobe, seu dono deveria ser beneficiado. Mas, no Brasil, o dono perde com o aumento dos combustíveis. E isso não faz o menor sentido". Foi com essa reflexão que Paulo César Ribeiro Lima, doutor em Engenharia Mecânica, ex-pesquisador do Cenpes por 15 anos e consultor legislativo da Câmara dos Deputados, especializado na área de petróleo e gás, começou sua exposição.

 

Paulo César Ribeiro Lima, ex-pesquisador do Cenpes e consultor legislativo na área de petróleo e gás, trouxe alternativas para a atual política de preços. Foto: Fernando Alvim
Paulo César Ribeiro Lima, ex-pesquisador do Cenpes e consultor legislativo na área de petróleo e gás, trouxe alternativas para a atual política de preços. 
Foto: Fernando Alvim
 

"O custo de produção do barril de diesel de um campo de Pré-Sal, com participação governamental direta, é de, no máximo, 40 dólares por barril, cerca de 93 centavos por litro. Antes da crise [em decorrência da greve dos caminhoneiros] a Petrobras vendia o litro de diesel por 2,33 reais, ou seja, uma margem de lucro de 150%", explicou Lima. Esse valor era acima do mercado internacional, com o mesmo visto também no GLP (gás de cozinha) e óleo combustível — o preço da gasolina foi estabilizado nos últimos meses. "Na gestão de Pedro Parente, o consumidor brasileiro pagou pelo diesel, sem tributos, 40% a mais do que pagou o consumidor americano", afirmou o especialista.

Paulo César Ribeiro Lima também abordou alternativas para a crise dos combustíveis: além de tributar a exportação do petróleo cru e alterar a atual política de preços da Petrobras, revogar o art. 1º da Lei nº 13.586/2017, para tributar a renda das empresas petrolíferas.

Clique aqui para assistir ao painel na íntegra no canal do Clube de Engenharia no Youtube.

 

FONTE: CLUBE DE ENGENHARIA

Publicado em Notícias

Para ex-presidente da estatal, problemas que causaram atual situação de caos precisariam ser combatidos com mudança profunda não só nas diretrizes da empresa como da própria política econômica.

Uma solução estrutural para situações como a grave crise que envolveu o país desde a semana passada, com a paralisação dos caminhoneiros e bloqueio das estradas, dependeria de uma mudança profunda não só da política de preços da Petrobras, hoje atrelada ao mercado internacional, como também da política econômica. O problema está longe de ser simples, considerando que novas diretrizes na economia, voltadas aos interesses do país, exigiria "alterar a natureza regressiva de impostos que penalizam quem ganha menos e aumentar a tributação sobre quem ganha mais", na opinião de Sergio Gabrielli, presidente da Petrobras de 2005 a 2012. 

 

 

"Se tirar o Pedro Parente e colocar outro que vai fazer a mesma política, não resolve", diz ex-presidente da estatal

"Mas isso não é possível com o atual governo, que não tem legitimidade. Portanto, temos um problema político grave, que é esse atual governo, que tem uma política de aumentar a concentração e de reduzir o tamanho da Petrobras."

A solução que o governo está apresentando é a de mexer nos impostos. O que só deve agravar as desigualdades. "Ao alterar os impostos, principalmente PIS e Cofins, vai agravar o problema da Previdência e das políticas sociais, e você faz uma coisa perversa, que é, em última instância, tirar dos segmentos mais pobres da sociedade brasileira", diz Gabrielli.

Qual sua avaliação sobre a crise?

É necessário fazer a análise em dois níveis. Um, a situação dos caminhoneiros. Com a economia em retração, o volume de fretes cai, e portanto a capacidade dos caminhoneiros de repassarem seus custos para os preços de frete fica limitada. Evidentemente que os efeitos disso são diferentes para as empresas de transportes, que são mais ou menos 40% dos caminhoneiros, e para os autônomos, que são 60%. Em relação aos autônomos a situação é grave, porque eles têm crédito de longo prazo, para comprar os caminhões, e têm custos financeiros que são fixos, e, portanto, têm uma parcela do rendimento para pagar juros e amortizações. E o caminhoneiro tem dificuldade de repassar custos. 

Ele está enfrentando uma situação não somente de queda da demanda, mas de aumento de custos. Os preços do diesel e do pedágio aumentaram, o custo operacional dele aumentou. Então as suas margens se contraíram. 

Mas trata-se se uma greve ou de um locaute?

Acho que são as duas coisas. Tanto para o caminhoneiro autônomo quanto para o assalariado, as condições de trabalho são semelhantes. É claro que a empresa tem mais capacidade de enfrentar a crise do que o autônomo, cujo capital de giro é menor. Mas é locaute na medida em que as empresas de transporte estão envolvidas, e é também uma greve de uma categoria de autônomos que está com problemas.

Aí a questão é analisar a causa do problema. A decisão da Petrobras, que, autorizada pelo seu conselho de administração – onde o acionista majoritário, que é o governo, tem um papel importante – resolveu fazer um processo acelerado de reajuste dos preços de derivados em função do mercado internacional.

Política que levou a economia ligada ao setor de petróleo à lona...

Exatamente. Na medida em que os preços do petróleo no mercado internacional e dos derivados estavam caindo, como aconteceu em 2015, essa política não se mostrou nociva. No momento em que os preços retomam o crescimento, a partir do final de 2016, em 2017 e agora em 2018, essa política se manifesta de forma dramática. E não só pelo preço do petróleo, mas isso combina também com uma depreciação do real, que tem impacto direto sobre o custo dos derivados. Essa política é a causa central do problema.  

Aí vamos analisar a situação da Petrobras. Numa situação em que o mercado brasileiro está baixo em termos de demanda de derivados por causa da recessão, não somente o volume de vendas caiu, mas a Petrobras resolveu por opção própria diminuir a utilização de suas refinarias. Com isso, abriu espaço no mercado, mesmo com ele declinando, para a importação de gasolina, diesel, GLP etc. Isso fez com que o mercado brasileiro ficasse ainda mais vulnerável aos preços internacionais.  E não só isso, e talvez até por isso, a Petrobras, ao fazer esse atrelamento diário aos preços internacionais, quer criar um ambiente favorável para novos investidores comprarem as refinarias e a logística de refino no Brasil.

Isso aponta para mais problemas no futuro?

Não somente aponta para mais problemas no futuro, mas provavelmente, se de fato entrarem novos atores, dificilmente eles serão induzidos a aumentar investimentos. Porque as refinarias da Petrobras estão funcionando a 50%, 60% da capacidade. Portanto, têm 40% de capacidade ociosa. É evidente que o aumento da produção pode ser feito com baixo investimento, sem precisar crescer a capacidade de produção. A entrada de novos atores vai apenas modificar a propriedade dos ativos.

A Petrobras está trocando um ganho de curto prazo, com a venda dos ativos, por uma perda de longo prazo, que é perder o controle do mercado doméstico. Isso, ao meu ver, até para o acionista não é uma boa coisa no longo prazo. Essa política é favorável ao acionista de curto prazo, que quer investir e ganhar no curto prazo, principalmente o especulador que quer ganhar na variação das ações da Petrobras. Do ponto de vista do investidor de longo prazo, o investidor típico de uma empresa de petróleo, acho que ele não deve estar muito satisfeito com essa política de perder market share e ampliar o mercado de importadores. A origem do problema está aí.

Qual a solução?

A solução que está sendo dada é de alterar os impostos. Ao alterar os impostos, principalmente PIS e Cofins, vai agravar o problema da Previdência e das políticas sociais, e você faz uma coisa perversa, que é, em última instância, tirar dos segmentos mais pobres da sociedade brasileira para concentrar esses recursos ou nos acionistas da Petrobras, ou nos caminhoneiros. Nesse sentido, o problema revela os limites estruturais de uma política que esse governo está implementando, mais geral do que da Petrobras, que desconsidera a realidade do país e os problemas de desigualdade e concentração de renda.

Uma  solução envolveria uma mudança profunda da política de preços da Petrobras, o que pressupõe uma mudança geral da política econômica. Se vai fazer algum ajuste na área fiscal, para compensar parte dos ajustes necessários para os preços da Petrobras, teria que alterar a natureza regressiva de impostos que penalizam quem ganha menos e aumentar a tributação sobre quem ganha mais. Por exemplo, o lucro dos bancos, os ganhos financeiros, que são poucos tributados no Brasil. Isso não é possível com o atual governo, que não tem legitimidade para isso. Portanto, temos um problema político grave, que é esse atual governo, que tem uma política de aumentar a concentração e de reduzir o tamanho da Petrobras.  A solução só pode ser paliativa, de curto prazo. Se o mercado internacional continuar elevando o preço do petróleo, nós vamos ter problema daqui a pouco de novo.

No curto prazo, a crise vai ser superada, considerando que Pedro Parente continua no cargo e nada indica que haverá mudança?

O fato é que não depende da pessoa Pedro Parente, mas de uma política da Petrobras. Se tirar o Pedro Parente e colocar outro que vai fazer a mesma política, não resolve. Por outro lado é preciso redefinir um pouco as relações da Petrobras com os próprios acionistas, favorecendo uma posição mais explícita da natureza da companhia, que está lá nas avaliações de risco da empresa.

A Constituição brasileira define o monopólio estatal na produção de petróleo e no refino, que pode ser exercido por empresas privadas. Mas em última instância é um monopólio estatal. O acionista que compra ações da Petrobras tem consciência disso. Evidentemente que as variações de curto prazo são movimentos especulativos em relação ao valor da Petrobras. Não refletem uma avaliação dos fundamentos e o portfólio da empresa, que são muito bons.

E o atual movimento? Os bloqueios nas estradas continuam...

É possível que a crise aguda que estamos vivendo nesse momento seja resolvida. Bloqueios vão ser dissipados, o abastecimento vai voltar, mas a doença está lá, mantida. A febre pode cair, mas a doença pode voltar a explodir. Do preço internacional, nós não temos controle. Do câmbio, não temos total controle.

 

FONTE: EDUARDO MARETTI / RBA

FOTO: WALDEMIR BARRETO/ AGÊNCIA SENADO

Publicado em Notícias

“Vargas precisa desistir da Petrobras”. Esta frase foi proferida, em 1954, por Assis Chateaubriand, dono do maior conglomerado da mídia brasileira na época, o “Diários Associados”, que implementou ampla campanha contra o caráter estatal da empresa. Hoje, com 65 anos de fundação, a Petrobras vive uma de suas maiores crises. Isso porque, em outubro de 2016, o governo federal e o presidente da empresa, Pedro Parente, adotaram uma política de preços para os derivados sem proteção ao consumidor e, em junho de 2017, anunciaram reajustes diários nos preços. Este cenário aprofundou o grau de insatisfação dos trabalhadores caminhoneiros, que deflagraram greve.

De acordo com informações da Federação Única dos Petroleiros (FUP), a Petrobrás alterou 230 vezes os preços nas refinarias, resultando em aumentos de mais de 50% na gasolina e diesel, enquanto os preços do GLP tiveram 60% de reajuste. Ainda segundo a FUP, em 2013, a Petrobrás tinha capacidade de atender 90% da demanda interna de combustíveis. Em 2017, esse percentual caiu para 76%. Com a greve dos caminhoneiros, a mídia privada, assim como Chateaubriand, consignou uma campanha de desmoralização da Petrobras, indicando, inclusive, uma suposta quebra da estatal. Esta narrativa facilita o processo de privatização da Petrobras, que ameaça os empregos, a engenharia e a soberania nacional.

A política de preços da empresa precisa ser enfrentada, uma vez que as importadoras de combustíveis são as principais beneficiadas e a Petrobras assume um papel de mera exportadora de petróleo. Nosso país está perdendo a capacidade de refino e exportação de produtos refinados. A atual política de preços tira o centro estratégico da Petrobras, que entrega poços de petróleo às empresas estrangeiras e diminui a produção de derivados, tornando-se uma gestora de caixa para regular preço. Ou seja, a estatal atua para manter a remuneração de acionistas minoritários, deixando de lado o ciclo de desenvolvimento nacional. O anúncio feito pelo governo federal de fornecer subsídios é um crime de lesa-pátria, que aprofunda a crise fiscal. O Brasil reduziu a produção de derivados para aumentar a importação de derivados, facilitando para empresas estrangeiras.

Em nota, a Associação de Engenheiros da Petrobras (Aepet) denunciou “a exportação de petróleo cru disparou, enquanto a importação de derivados bateu recordes. A importação de diesel se multiplicou por 1,8 desde 2015, dos EUA por 3,6. O diesel importado dos EUA que em 2015 respondia por 41% do total, em 2017 superou 80% do total importado pelo Brasil”. Ao contrário de uma política que garanta a robustez da Petrobras, o atual governo federal estrangula a capacidade financeira da estatal, entregando ao mercado financeiro.
Concomitante aos ataques à Petrobras, também está a destruição das empresas nacionais e da própria engenharia brasileira. Além de prejudicar o desenvolvimento da tecnologia e ameaçar os empregos, é flagrante a tentativa de destruição da engenharia nacional, responsável pela construção de projetos fundamentais para o desenvolvimento do país. Este cenário é agravado com a crise econômica, fazendo com que o Brasil fique à mercê do mercado financeiro e da especulação.

É urgente o posicionamento da engenharia nacional pelo recuo da política de paridade internacional nos preços dos derivados. Também reivindicamos o aumento do volume de petróleo refinado em território nacional. Segundo nota técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), é possível refinar 2,4 milhões de barris/dia e atender a demanda interna (com cerca de 2,2 milhões/dia), dependendo menos do mercado internacional (seja de produção ou preço dos refinados).

Retomar o desenvolvimento social significa fortalecer o viés estatal da Petrobras, a engenharia brasileira e a soberania nacional. A atual crise política pela qual atravessa o Brasil exige uma reestruturação imediata na política de preços da Petrobras. Não iremos tolerar retrocessos na frágil democracia brasileira. Defender a Petrobras é defender o Brasil e a engenharia nacional.

Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros
Rio de Janeiro, 28 de maio de 2018.

Engenharia nacional e a greve dos caminhoneiros

 

Publicado em Notícias

A Petrobrás adotou nova política de preços dos combustíveis, desde outubro de 2016, a partir de então foram praticados preços mais altos que viabilizaram a importação por concorrentes. A estatal perdeu mercado e a ociosidade de suas refinarias chegou a um quarto da capacidade instalada. A exportação de petróleo cru disparou, enquanto a importação de derivados bateu recordes. A importação de diesel se multiplicou por 1,8 desde 2015, dos EUA por 3,6. O diesel importado dos EUA que em 2015 respondia por 41% do total, em 2017 superou 80% do total importado pelo Brasil.

Ganharam os produtores norte-americanos, os “traders” multinacionais, os importadores e distribuidores de capital privado no Brasil. Perderam os consumidores brasileiros, a Petrobrás, a União e os estados federados com os impactos recessivos e na arrecadação. Batizamos essa política de “America first! ”, “Os Estados Unidos primeiro!”.

Diante da greve dos caminhoneiros assistimos, lemos e ouvimos, repetidamente na “grande mídia”, a falácia de que a mudança da política de preços da Petrobrás ameaçaria sua capacidade empresarial. Esclarecemos à sociedade que a mudança na política de preços, com a redução dos preços no mercado interno, tem o potencial de melhorar o desempenho corporativo, ou de ser neutra, caso a redução dos preços nas refinarias seja significativa, na medida em que a Petrobrás pode recuperar o mercado entregue aos concorrentes por meio da atual política de preços. Além da recuperação do mercado perdido, o tamanho do mercado tende a se expandir porque a demanda se aquece com preços mais baixos.

A atual direção da Petrobrás divulgou que foram realizados ajustes na política de preços com o objetivo de recuperar mercado, mas até aqui não foram efetivos. A própria companhia reconhece nos seus balanços trimestrais o prejuízo na geração de caixa decorrente da política adotada.

Outra falácia repetida 24 horas por dia diz respeito a suposta “quebra da Petrobrás” em consequência dos subsídios concedidos entre 2011 e 2014. A verdade é que a geração de caixa da companhia neste período foi pujante, sempre superior aos US$ 25 bilhões, e compatível ao desempenho empresarial histórico.

Geração operacional de caixa, US$ bilhões
2011      2012      2013      2014      2015      2016      2017
33,03     27,04     26,03     26,60     25,90     26,10     27,11

A Petrobrás é uma empresa estatal e existe para contribuir com o desenvolvimento do país e para abastecer nosso mercado aos menores custos possíveis. A maioria da população quer que a Petrobrás atue em favor dos seus legítimos interesses, enquanto especuladores do mercado querem maximizar seus lucros de curto prazo.
Nossa Associação se solidariza aos consumidores brasileiros e afirma que é perfeitamente compatível ter a Petrobrás forte, a serviço do Brasil e preços dos combustíveis mais baixos e condizentes com a capacidade de compra dos brasileiros.

Por Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET)

Engenheiros da Petrobras pedem mudanças na política de preços dos combustíveis

Publicado em Notícias

As frentes parlamentares mistas de Soberania Nacional e de Defesa da Petrobras lançaram no dia 9 de maio, em Brasília, campanha que revive o movimento nacionalista que floresceu no Brasil no final dos anos 1940 e que culminou na criação da Petrobras. Em pauta, novamente a necessidade de assegurar o petróleo como riqueza nacional e, agora, articular movimento em defesa da própria existência da Petrobras, alvo de desmontes do governo federal, que vende ativos e busca entregar a exploração do pré-sal a petroleiras estrangeiras. O ato, realizado na Câmara dos Deputados, foi brindado com a leitura de um manifesto por Guilherme Estrella, ex-diretor de Exploração e Produção da Petrobras (2003/2012), conselheiro do Clube de Engenharia e coordenador da equipe que descobriu as reservas do pré-sal. O engenheiro Maurício Garcia esteve no lançamento representando a Fisenge (Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros). "Afirmamos nosso apoio à campanha 'O Petróleo é do Brasil' numa luta que considerávamos vencida até antes do governo FHC, quando começaram os ataques às nossas empresas estatais por meio das privatizações e, consequentemente, atingindo nossa soberania. Também prestamos nossa solidariedade aos engenheiros e trabalhadores demitidos do setor de gás e petróleo com a redução dos componentes nacionais nas licitações da Petrobras, o chamado conteúdo local", destacou Maurício. 

Estrella expôs a preocupação de diferentes setores da sociedade brasileira com os rumos do atual governo em relação à Petrobras: "A PETROBRÁS, construída com recursos do povo ao longo de décadas, com a competência de seus trabalhadores em todos os setores, é exemplar entre as petroleiras do mundo. Com a tecnologia de exploração em águas profundas desenvolvida pela estatal, o Brasil chegou às conquistas atuais. Transferir o pré-sal e a PETROBRÁS para as mãos privadas e externas é um dos mais graves crimes de lesa-pátria", diz trecho do documento.

O senador Roberto Requião, presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Soberania, esteve presente ao lado de deputados e senadores de diferentes partidos. Do lado das organizações civis, se fizeram presentes representantes da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), Federação Brasileira dos Geológos (Febrageo), Conselho Federal de Economia (Confecon) e Comissão de Justiça e Paz, entre outras.

Segue transcrição parcial do manifesto:

 

Manifesto contra a entrega do pré-sal e da Petrobrás aos estrangeiros

O petróleo é do Brasil!

A história recente da humanidade pode ser contada por meio de guerras pela disputa por fontes energéticas, em especial o petróleo. As últimas guerras imperialistas no Iraque e na Líbia, provocadas sob pretextos inventados, destruíram ambos os países, desmantelando suas infraestruturas e levando à morte milhares de pessoas. Agora, a América Latina é o novo alvo da disputa pelo petróleo, mais exatamente o Brasil e a Venezuela.

A PETROBRÁS, construída com recursos do povo ao longo de décadas, com a competência de seus trabalhadores em todos os setores, é exemplar entre as petroleiras do mundo. Com a tecnologia de exploração em águas profundas desenvolvida pela estatal, o Brasil chegou às conquistas atuais. Transferir o pré-sal e a PETROBRÁS para as mãos privadas e externas é um dos mais graves crimes de lesa-pátria cometidos pelos golpistas que assumiram o poder em 2016.

A herança do general Horta Barbosa, de Getúlio Vargas e da campanha popular “O petróleo é nosso”, num movimento que resultou na criação da PETROBRÁS, está sendo brutalmente atacada. A transformação do Brasil em colônia, em pleno século 21, passa pela expropriação do petróleo e pela privatização da PETROBRÁS. Com isso, o País perderia a capacidade de promover seu desenvolvimento industrial, com geração de empregos e de renda.

Neste momento, diante deste ataque sem precedentes ao Brasil, convocamos todos os cidadãos e cidadãs, democratas e patriotas para impedir a maior traição ao Brasil moderno. A defesa da soberania e da independência energética é também a defesa da existência da Nação brasileira. Em todos os recantos do país, vamos afirmar alto e bom que “O petróleo é do Brasil”. O Brasil não está à venda!

Fontes: Blog do Esmael e Brasil de Fato

Campanha "O Petróleo é do Brasil" é lançada em Brasília

Publicado em Notícias

As refinarias são a bola da vez da gestão de Pedro Parente, como a FUP (Federação Única dos Petroleiros) já vem alertando desde o ano passado. As notícias divulgadas pela imprensa neste final de semana adiantam o que está por vir: a venda em bloco, junto com terminais e dutos. Ou seja, o Estado está prestes a perder o controle sobre o refino de petróleo e transporte de derivados, atividades essenciais, que comprometerão o abastecimento do país.

Além da Petrobrás perder o protagonismo em um dos segmentos mais estratégicos da indústria petrolífera, a desnacionalização tornará o Brasil cada vez mais dependente das importações de derivados. Segundo dados da ANP, até novembro, o país já havia importado 207 milhões de barris de derivados em 2017, o maior volume já registrado pela agência. A importação de óleo diesel, o principal combustível comercializado, cresceu 64% em relação ao ano anterior.

O negócio é tão lucrativo que já atraiu para o Brasil mais de 200 empresas importadoras de combustíveis. A ANP estima que o mercado nacional crescerá mais 20% nos próximos dez anos. O Sindicom (Sindicato das Empresas de Combustíveis e Lubrificantes) prevê que, nas condições atuais, o Brasil já terá um déficit de 90 mil barris diários de derivados de petróleo em 2030.

É em meio a essa conjuntura, que Parente entregou os gasodutos para conglomerados internacionais, abriu o capital da BR Distribuidora e reduziu em mais de 20% a produção do parque de refino. A Rlam, uma das refinarias que está na lista de privatização, processava em 2014 mais de 300 mil barris diários de petróleo e hoje refina cerca de 190 mil, o que representa 51% da sua capacidade instalada.

Os prejuízos que a Petrobrás amargou em 2017 são reflexo desse desmonte. O lucro operacional do refino despencou 42%, a produção de derivados caiu 5% e as vendas diminuíram em 6%, levando o caixa da Petrobrás a encolher R$ 18,9 bilhões, em relação a 2016, apesar do consumo de derivados ter crescido 1% no período.

Sem a legitimidade das urnas, Temer e Parente, no curto espaço de dois anos, já comprometeram as seis décadas de esforço da nação brasileira para ter autonomia e protagonismo em uma atividade tão estratégica como é a indústria de petróleo. O país volta a ser dependente das importações.

Fonte: FUP

Privatização das refinarias, dutos e terminais coloca em risco abastecimento do país

Publicado em Notícias
Página 1 de 9