Nesta quinta-feira (10), o governo anunciou que não vetará nenhum dos termos do acordo anunciado pelas empresa.

Governo aprova venda da Embraer à estadunidense Boeing

Acordo entre a Embraer e a Boeing causa preocupação em setores das Forças Armadas e do Itamaraty / Sgt. Batista/Agência FAB

O governo anunciou nesta quinta-feira (10) que não exercerá o poder de veto para o acordo entre a Embraer e a estadunidense Boeing para criação de uma nova empresa comercial. 

Em nota, a Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República afirma que “em reunião realizada hoje com o Exmo. Sr. Presidente Jair Bolsonaro, com os Ministros da Defesa, do GSI, das Relações Exteriores, da Ciência e Tecnologia, Inovações e Comunicações; e representantes do Ministério da Economia e dos Comandos da Marinha, do Exército e da Aeronáutica foram apresentados os termos das tratativas entre Embraer (privatizada desde 1994) e Boeing”.

O comunicado afirma ainda que “a proposta final preserva a soberania e os interesses nacionais”. E anuncia que “não será exercido o poder de veto (Golden Share) ao negócio”. 

Em dezembro, as empresas haviam anunciado a aprovação dos termos do acordo. A estadunidense Boeing deterá 80% do novo negócio e a Embraer 20%. Com isso, a Embraer abre mão do setor mais rentável da companhia, que é a produção de aviões comerciais, responsável por 58% dos lucros da empresa em 2017.

O negócio é criticado por setores militares e do Itamaraty. Em entrevista ao Brasil de Fato e, março de 2018, o diplomata e ex-ministro das Relações Exteriores e da Defesa, Celso Amorim, ressaltou a preocupação dos que chama de “verdadeiros patriotas” das Forças Armadas, principalmente em relação à defesa e soberania do país.

“Eu acho que eles devam estar muito preocupados. Pelo menos os verdadeiros patriotas, que são obviamente a maioria, e aqueles que estiveram envolvidos no desenvolvimento tecnológico [da empresa]”.

Em nota técnica divulgada em outubro deste ano, especialistas do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) fizeram diversos alertas sobre as negociações entre a Embraer e a Boeing, entre eles, o impacto econômico principalmente na geração de empregos no Brasil. 

“Há um temor imediato com relação aos 16 mil empregos que a Embraer tem diretos no Brasil, fora os indiretos, que são completamente dependentes destes e vão desde pequenos e médios fornecedores, até a [questão da] economia que ela faz girar onde está instalada”, dizia a nota.

Para o Dieese, não se trata de uma fusão entre as empresas, mas da compra da Embraer pela companhia estadunidense.

 

Fonte: Brasil de Fato

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Transação entre companhias foi oficialmente fechada nesta segunda-feira (17) e aguarda decisão final do governo.

Criada em 1969, Embraer é referência mundial na fabricação de aeronaves  - Créditos: Divulgação Embraer

Criada em 1969, Embraer é referência mundial na fabricação de aeronaves / Divulgação Embraer

O acordo entre a Embraer e a fabricante estadunidense Boeing, anunciado oficialmente na última segunda-feira (17), foi recebido com críticas e preocupação por especialistas que acompanham o setor.

A medida, que vinha sendo costurada desde o final de 2017 e é defendida tanto pelo governo de Michel Temer (MDB) quanto por Jair Bolsonaro (PSL), implica a criação de uma joint venture, que consiste na criação de uma nova empresa a partir das duas companhias.

Temer e sua equipe têm afirmado que a fusão seria vantajosa para o Brasil. O vice-presidente eleito, general Hamilton Mourão, disse à imprensa, nessa segunda-feira (17), que o negócio seria “vital” para que a Embraer possa “enfrentar a concorrência internacional”.

A declaração é contestada, por exemplo, pela economista Renata Belzunces, técnica do Dieese. Ela alerta que na prática, pela forma como a transação vem sendo acertada, a Embraer será quase totalmente vendida e tende a perder importância e presença no mercado. Isso porque as normas do acordo preveem que a Boeing passe a controlar 80% do novo negócio, deixando a fabricante brasileira com 20%.

Além disso, após os dez anos de duração da joint venture, a empresa estadunidense terá direito à compra dos 20% da Embraer. A transação total do negócio é avaliada em U$ 5,26 bilhões.

Outro ponto crítico do acordo diz respeito aos setores de produção que estão sendo negociados: a Boeing deverá ficar com a parte de aviação comercial, considerada a mais rentável da empresa, enquanto à Embraer restarão os segmentos de aviões de defesa aérea e aviação executiva. Este último envolve a produção de jatinhos.

Segundo dados oficiais da empresa, o faturamento da Embraer teve, em 2017, participação de 16% do setor de defesa e 26% da aviação executiva. Já a parte de produção de aviões comerciais foi responsável por 58% dos lucros.

Belzunces afirma que o negócio entre a Boeing e a Embraer compromete a soberania nacional e coloca em risco a viabilidade da fabricante brasileira.

“Não se trata de uma fusão ou combinação de negócios; se trata de uma compra. E a gente não tem, de fato, elementos econômicos e técnicos que garantam a sobrevivência do que vai restar da Embraer”, aponta a economista.

Em nota técnica divulgada em outubro deste ano, especialistas do Dieese ainda realizaram outros alertas. Um deles diz respeito aos possíveis impactos na economia brasileira. Com a transação entre Boeing e Embraer, a fabricante estrangeira pode, pelo acordo firmado, remanejar 100% dos trabalhadores das atividades da aviação comercial para a nova empresa que será criada, o que traz a possibilidade de os postos de trabalho ficarem nos Estados Unidos, sede da Boeing.

“Há um temor imediato com relação aos 16 mil empregos que a Embraer tem diretos no Brasil, fora os indiretos, que são completamente dependentes destes e vão desde pequenos e médios fornecedores, até a [questão da] economia que ela faz girar onde está instalada”.

Empregos

A projeção é de que a transação atinja fortemente o Vale do Paraíba (SP), por exemplo, onde se situa a sede principal da Embraer. Por conta disso, o Ministério Público do Trabalho (MPT) ingressou, em julho deste ano, com uma ação civil pública na Justiça Federal.

O órgão pede que a União seja obrigada a condicionar a transação entre as empresas à garantia da manutenção dos empregos. Em audiências anteriores ocorridas entre o MPT e representantes das companhias, as duas fabricantes negaram o pedido.

Na ação judicial, o MPT pede também que a produção das aeronaves não seja transferida para o exterior. O pedido ainda não foi julgado pela Justiça e a notícia do avanço das negociações entre as duas companhias piorou o clima entre os trabalhadores da empresa, que vivem um contexto de tensão com as cerca de 800 demissões já promovidas pela Embraer desde o início deste ano.

“Se as duas estão dizendo que o negócio é bom, mas não garantem emprego, então, pro trabalhador, é óbvio que não é bom. É bom só para os acionistas. Então, o clima de apreensão é muito grande”, afirmou Herbert Claros, da direção do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos (Sindmetal-SJC), em entrevista ao Brasil de Fato.

O acordo entre Boeing e Embraer precisará agora da aprovação do governo brasileiro. Apesar de a fabricante nacional ser privatizada, ela conta com forte apoio do Estado e tem a União como detentora de uma ação especial, a chamada golden share, que garante poder de veto em determinadas decisões da gestão da companhia.

O Palácio do Planalto tem 30 dias para se pronunciar, o que faz com que a decisão possa se dar ainda na gestão Temer ou somente em janeiro, já sob o governo Bolsonaro.  

 

Fonte: Brasil de Fato / Edição: Mauro Ramos

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Sindicato alerta para o papel de simples observadora reservado à empresa no conselho administrativo da companhia dos EUA e o fechamento da aquisição até 5 de dezembro, na gestão de Michel Temer.

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Foto: Reprodução

Após avaliarem o documento divulgado na sexta-feira (21) sobre como serão firmadas as relações estratégicas entre as empresas Embraer e Boeing, os sindicatos dos metalúrgicos das cidades de São José dos Campos, Botucatu e Araraquara, no interior de São Paulo, estão se mobilizando para barrar o processo e planejam incorporar os novos dados às ações judiciais contra a venda da empresa.

Em entrevista ao jornalista Rafael Garcia, na Rádio Brasil Atual, o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Hebert Claros, destacou que o arranjo é prejudicial às operações da Embraer e preocupa principalmente pelo papel de mera observadora reservado à empresa no conselho administrativo da Boeing e a conclusão do negócio até 5 de dezembro, ainda durante a gestão de Michel Temer.

Na prática, segundo o vice-presidente, o prazo estipulado limita a avaliação do processo que, para ele, precisa ser levado ao próximo presidente, além de impedir a participação efetiva da Embraer e do governo federal em decisões. “Isso é muito mais prejudicial ao futuro da empresa e, um fechamento da Embraer, por exemplo, em São José dos Campos, significa a perda de 13 mil postos de trabalhos direitos e 20 mil indiretos. É uma tragédia para o nosso país”, afirma Herbet Claros.

 

Fonte: Redação RBA

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Ação popular proposta por deputados federais poderá suspender a entrega da estatal brasileira à empresa estrangeira, como pretende governo.

Governo terá que explicar porque quer vender Embraer para norte-americana Boeing

FOTO: AGÊNCIA FORÇA AÉREA / SARGENTO BATISTA

Uma ação popular preventiva, com pedido de liminar, que solicita a suspensão das negociações entre a fabricante brasileira de aeronaves Embraer com a empresa norte-americana Boeing, foi acolhida pela Justiça de São Paulo.

A Embraer terá de se posicionar, por escrito, sobre as razões que a Boeing tem para querer assumir o controle da divisão de aviação comercial da empresa brasileira, por meio de uma joint venture de US$ 4,75 bilhões.

A peça jurídica proposta pelos deputados federais da bancada do PT na Câmara, Paulo Pimenta (RS), Carlos Zarattini (SP), Nelson Pellegrino (BA) e Vicente Cândido (SP) é em desfavor da União e endereçada à Presidência da República, Ministério da Defesa, Comando da Aeronáutica, Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República e Tribunal de Contas da União, além da própria Embraer.

Os responsáveis pelas respectivas pastas deverão responder pelos danos que a venda de um patrimônio público nacional poderá causar a sociedade brasileira e ao país.

“Todos aqueles que autorizaram, aprovaram, ratificaram ou praticaram o ato impugnado, ainda que por omissão, oportunizaram a lesão (material ou imaterial) aos cofres públicos, além dos respectivos beneficiários”, diz o documento.

Eles vão ter de explicar porque querem privatizar uma área estratégica para o Brasil, denunciou o deputado federal e líder do PT, Paulo Pimenta.

Em entrevista ao Portal CUT, ele contou que a ação foi voltada à defesa da soberania nacional e ao combate à onda de privatizações instaurada desde o segundo semestre de 2016.

“Além, evidentemente, da questão de que esse governo não tem legitimidade nenhuma para liquidar o país, ainda mais em final de mandato”, argumentou o deputado.

Eles querem acelerar o processo de desmonte do Estado brasileiro, com a desconstrução de uma área que recebeu investimento em tecnologia e é respeitada e reconhecida internacionalmente, apontou o parlamentar. Por isso, os deputados esperam uma decisão judicial favorável.

“Esperamos que nossa representação seja acolhida para que esse processo seja suspenso”, diz Pimenta.

 “É uma decisão monocrática no primeiro momento que, provavelmente vai ter recurso. Mas nossa ação foi acolhida. Ela poderia simplesmente ter sido desconsiderada, mas ela não só foi acolhida, como eles foram notificados”.

Brasileiro diz não à privatização

Em pesquisa divulgada no mês de maio, a absoluta maioria dos brasileiros disse que é contra a privatização de empresas e serviços públicos, segundo pesquisa CUT/Vox divulgada 28 de maio.

No geral, 55% dos entrevistados pela CUT/Vox são contra a privatização. Outros 23% são a favor e 22% não souberam ou não quiseram responder. A maior rejeição a venda de empresas e serviços públicos foi registrada na Região Sudeste (59), seguida pela Região Centro/Oeste-Norte (57%); e Sul e Nordeste, com 49% cada.

Não importa o gênero, a idade, a escolaridade ou a renda, todos são contra a  privatização das empresas ou serviços públicos.

 

FONTE: CUT / Escrito por Luciana Waclawovsky

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Embraer selecionará engenheiros recém formados para participarem do "Programa de Especialização em Engenharia"

A Embraer irá selecionar Engenheiros recém-formados para participarem do PEE - Programa de Especialização em Engenharia. São elegíveis ao PEE através do processo de seleção 2019, engenheiros com inglês avançado, graduados entre 2016 e dez/2018 nas modalidades aeronáutica ou aeroespacial, ambiental, automobilística, civil, computação, controle e automação, elétrica, eletrônica, energia, física, materiais, mecânica, mecatrônica, metalúrgica, naval, produção, química ou sistemas.

As inscrições para o PEE 2019 estarão abertas até o dia 02/09/18  e deverão ser feitas apenas através do site www.embraer.com/br/pt/pee onde também poderão encontrar outras informações sobre o Programa. 

O ITA é um parceiro da Embraer na execução do PEE. Seus professores ministram várias disciplinas e são orientadores das dissertações de mestrado dos engenheiros do PEE. 

O ITA oferece o título de mestre em engenharia aeronáutica. 

 

FONTE: SENGE MG

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Proposta de acordo entre a Embraer e a estadunidense Boeing pode colocar em risco a soberania espacial do país. Especialistas consultados pelo Brasil de Fato questionam a possibilidade de perda de controle acionário da empresa aeronáutica por parte do governo brasileiro. Atualmente, mesmo com investimento privado, as autoridades nacionais ainda mantém poder de veto em questões estratégicas.

Na opinião de Celso Amorim, diplomata e ex-ministro das Relações Exteriores e da Defesa nos governos Lula e Dilma, a venda da Embraer representaria um ‘desastre absoluto’, do ponto de vista da política externa e da defesa nacional.

“A Embraer é estratégica por várias razões. Primeiro porque ela participa e deveria continuar participando dos nossos aviões militares. Sejam os caças que vamos adquirir, mas também fazer com a Suécia, os Gripen; sejam outros aviões, como o cargueiro, o KC-390, de grande inovação, feito com financiamento do BNDES", ressalta.

Em sua opinião, trata-se de tema primordial "seja do ponto de vista tecnológico, seja do ponto de vista da defesa, afinal serão produzidas aeronaves que são essenciais para a proteção do nosso espaço aéreo”. Por esse motivo, Amorim acredita na oposição do setor militar ao interesse do atual governo em vender a Embraer. “Eu acho que eles devam estar muito preocupados. Pelo menos os verdadeiros patriotas, que são obviamente a maioria, e aqueles que estiveram envolvidos no desenvolvimento tecnológico [da empresa]”.

O ex-ministro relembra o acordo firmado com a empresa sueca Saab para a compra e transferência de tecnologia dos caças Gripen, realizado em 2013 pela ex-presidenta Dilma. Na ocasião, houve comemoração dentro das Forças Armadas por conta do acesso ao chamado código-fonte do sistema de armamento sueco, uma vantagem que, segundo Amorim, não ocorreria caso se tratasse de uma empresa privada. “A Saab vai transferir suas tecnologias para o Brasil, vai abrir o código-fonte do sistema de armas, vai fazer isso se a Embraer estiver associada a uma empresa norte-americana ou de qualquer outro país? Não, não vai fazer”, alerta.

Para Amorim, a proposta de venda da empresa brasileira caminha no mesmo sentido de outros projetos levados adiante pelo atual governo, sem levar em conta a soberania do país. “O Brasil está sendo tocado como se fosse uma empresa. Soberania não está no radar das pessoas que estão dirigindo o país de maneira prioritária”, critica o ex-ministro.

Clovis Nascimento, engenheiro civil e presidente da Federação de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), acredita que a medida teria impacto negativo sobre a vida dos trabalhadores da empresa aeronáutica. “Na hora em que se entregar a Embraer a uma empresa estrangeira, abrindo mão da possibilidade do governo participar disso, é claro que isso terá um desdobramento para os trabalhadores, pois a área de pesquisa e inteligência da Embraer ficará toda prejudicada, caudatária da Boeing”, alerta Nascimento.

Entidades de classe ouvidas pela reportagem prometem realizar mobilizações para impedir a desnacionalização da Embraer e denunciar o que consideram mais um exemplo da política entreguista do governo federal.

Edição: Thalles Gomes
Texto: Leonardo Fernandes (Brasil de Fato)
Foto: Tereza Sobreira/ Ministério da Defesa

Venda da Embraer coloca em risco soberania espacial brasileira

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Por Clovis Nascimento*

Foi anunciada, no jornal “The Wall Street Journal”, a possível venda da Embraer para a norte-americana Boeing. A Embraer é a terceira maior fabricante de aviões comerciais do mundo e única fabricante brasileira de aviões, perdendo para a própria Boeing. Isso significa que o interesse da Boeing nessa negociação é acabar com a concorrência da Embraer, colocando-se como líder no mercado, além de se apropriar de todo o acúmulo tecnológico e científico brasileiro. Embora seja uma empresa privatizada, existe um mecanismo chamado “golden share”, que possibilita poder de veto ao governo federal em decisões estratégicas, como em negociações de vendas e fusões da empresa, mesmo sem ter o controle acionário. No entanto, no dia 19 de julho de 2017, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles consultou o Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a possibilidade de abrir mão da “golden share” da Embraer, da Vale e do IRB. Dos cerca de milhares de trabalhadores, existem engenheiros dedicados à formulação de ações e produção de tecnologia e inovação. A empresa estimula centros de formulação de engenharia, criando projetos de alto padrão tecnológico.

As justificativas para a venda da Embraer vão desde a criação de empregos até o estímulo à economia. Mas, vamos aos reais fatos. Sabemos que geração de empregos de qualidade acontecem com o estímulo à indústria e às empresas nacionais. Os EUA, por exemplo, estão fechando empresas em outros países, como o México, para instalá-las no próprio país. Donald Trump centra a sua política econômica para dentro do empresariado e do capital norte-americano, e que também aponta para uma política imperialista xenofóbica de extrema dominação dos EUA em relação aos outros países, sem qualquer relação de cooperação. Portanto, a venda da Embraer para a Boeing irá favorecer apenas os empresários norte-americanos, que utilizarão o capital simbólico, tecnológico e científico para dar maior robustez ao seu próprio parque de indústria aeronáutica e de defesa. É preciso lembrar que a Embraer, no Brasil, também é responsável por projetos de defesa nacional e, para os EUA, será utilizada como instrumento de fortalecimento bélico. Transferir o controle acionário para as mãos do capital norte-americano significará transferir as nossas estratégias de defesa e a nossa soberania nacional.

Sobre o estímulo à economia, podemos afirmar que trata-se de uma falácia. Os gatilhos de melhoria e de avanço econômico vieram, principalmente, de investimentos públicos e obras de infraestrutura. Em um momento de tensão econômica e profundo desemprego, a alternativa deveria perpassar por um modelo de Estado robusto, com a nacionalização da Embraer como saída da atual crise, para geração de emprego e renda, estímulo ao mercado interno e à produção de ciência e tecnologia e em defesa da soberania, fortalecendo uma política de defesa nacional.
Obviamente, os meios de comunicação aceleram notícias sobre a alta das ações da Embraer no mercado financeiro, criando um ambiente favorável. No entanto, é preciso enfatizar que o mercado age de acordo com os interesses dos bancos e do capital estrangeiro, que colocam países como Brasil numa posição de subserviência, de colônia. Em uma conjuntura de pressão pela aprovação da Reforma da Previdência, de eleição presidencial e de extrema rejeição da população ao atual programa em curso, o governo federal lança cartadas como estratégia de afirmação junto ao mercado financeiro, desde o anúncio da privatização da Eletrobrás, o balão de ensaio sobre a venda da Embraer, o desmonte da Embrapa, o sucateamento das universidades públicas e o enxugamento do orçamento para áreas fundamentais como ciência e tecnologia.

O desespero toma o atual governo de Michel Temer que, mesmo alvo de denúncias de corrupção, se sustenta com apoio de uma maioria de parlamentares no Congresso Nacional, com o braço dos meios de comunicação privada. Essa semana, por exemplo, o jornal “O Globo” publicou o editorial "Reforma previdenciária argentina deve inspirar Temer". Alguns trechos merecem nossa atenção: "O presidente deve se inspirar no colega argentino, Mauricio Macri, que enfrentou protesto, com 160 feridos, e greves, mas foi adiante e aprovou anteontem sua reforma previdenciária no Congresso", ampliando a repressão aos movimentos sociais e "Tendo garantido seu mandato, ao presidente resta se inspirar no colega argentino e liderar a luta pelas reformas. Será o seu legado", pressionando por uma possível moeda de troca pelo seguimento do mandato. Na página seguinte, o jornal publica um artigo do então presidente golpista Michel Temer sobre a política de resultados do Mercosul, rejeitando a cooperação e a solidariedade latino-americana. No mesmo dia (21/12), a Folha de S. Paulo publicou a matéria: "Temer se encontrou com cúpula da Globo para discutir delação e reforma". De acordo com o texto, uma das reclamações centrais de Temer foi o editorial de "O Globo", em 19 de maio, intitulado "A renúncia do presidente", que defendia a saída de Temer do cargo como melhor opção para o país. Portanto, vemos claramente as manobras dos meios de comunicação que estão, a todo tempo, em negociação com esse governo e o mercado financeiro.

Embora Temer tenha negado, no dia seguinte, a transferência do controle da Embraer, sabemos que na política anúncios confirmam negociações. Mais do que estarmos atentos, é preciso que toda a sociedade brasileira se mobilize em uma ampla resistência em defesa da democracia e da soberania nacional. Onde há opressão, há muita resistência. É preciso resistir! Em defesa da engenharia e da soberania nacional.

Clovis Nascimento é engenheiro civil e sanitarista, presidente da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), vice-presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ), da coordenação do projeto SOS Brasil Soberano e engenheiro da Cedae há 45 anos. Foi Diretor Nacional de Água e Esgotos da Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental no Ministério das Cidades (MinCidades) durante o 1º mandato do governo Lula e subsecretário de saneamento e recursos hídricos do governo do estado do Rio de Janeiro, durante o mandato de Benedita da Silva. Também foi presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES), eleito por dois mandatos consecutivos, e foi vice-presidente da Associação Interamericana de Engenharia Sanitária e Ambiental.

Venda da Embraer coloca Brasil em posição de colônia

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O interesse da Boeing em comprar a Embraer, oficializado nesta quinta-feira (21) pelas empresas, “causou profundo mal-estar nos setores militares do governo, que não foram avisados da existência dessas tratativas pelo Ministério da Fazenda”, afirma o historiador e ex-assessor estratégico do Ministério da Defesa, Francisco Carlos Teixeira. Segundo ele, a iniciativa tem o apoio do ministro Henrique Meirelles, da Fazenda, que pretende, com a operação, compensar o mercado pela derrota sofrida na reforma da Previdência, cuja votação foi adiada por falta de apoio no Congresso, e fortalecer seu nome junto ao PSDB para a disputa à Presidência.

Além das Forças Armadas, que desenvolvem projetos militares estratégicos com a Embraer, o próprio Michel Temer teria sido pego de surpresa, diz Francisco Teixeira, que duvida que o atual comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Nivaldo Rossato, concorde com a transação. Para o presidente da República, a venda da empresa iria colar de forma irreversível o selo de “entreguista” à sua gestão.

O governo brasileiro detém “golden share” na Embraer, uma classe especial de ação que permite vetar decisões relacionadas à “capacitação de terceiros em tecnologia para programas militares” e à “interrupção de fornecimento de peças de manutenção e reposição de aeronaves militares”, entre outras decisões. Pode, assim, impedir a evolução das negociações com a Boeing. A nota distribuída pela duas empresas confirma “conversações a respeito de uma potencial combinação, cujas bases ainda estão em discussão”.

Coincidentemente, Meirelles já havia consultado o Tribunal de Contas da União em 19 de julho sobre abrir mão da “golden share” da Embraer, da Vale e do IRB, além de marcar seu lançamento como pré-candidato em rede nacional para o mesmo dia em que o Wall Street Journal publicava, sem a ciência do governo brasileiro, as negociações sobre a venda da empresa. A fala do ministro ocupou quase a totalidade da propaganda eleitoral do PSD, veiculada nesta quinta-feira (21). A consulta do TCU começou a ser analisada em setembro e ainda não foi respondida.

Para Francisco Teixeira, derrotado no esforço de votar a Reforma da Previdência, Meirelles precisa apresentar feitos relevantes que o credenciem como preferido do mercado financeiro para as eleições de 2018. Privatizações de fôlego também poderão cacifá-lo como liderança liberal junto ao PSDB, de modo a garanti-lo como alternativa eleitoral tucana, caso o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, seja comprometido em investigações de corrupção e se torne inelegível ou idefensável politicamente.

Para o país, a venda do poder decisório do Estado sobre a Embraer só representa prejuízos. Na opinião de Francisco Teixeira, significa a perda do controle dos projetos estratégicos para a Defesa brasileira e da capacidade de investimento em alta tecnologia nacional. “A soberania nacional ficará à mercê dos embargos do governo norte-americano”, alerta.

Além disso, não são reais os argumentos utilizados pelos que defendem a operação – de que iria criar emprego e renda no país. “Não vai; quem diz isso não está lendo nada sobre o mercado ou está de má-fe”, diz o historiador. “O governo Trump tem se caracterizado pela interiorização da produção norte-americana. Já desmontou o Nafta e obrigou a transferir para os EUA as linhas de montagem do setor automotivo que funcionavam no México. A Boeing vai pegar a expertise da Embraer e gerar empregos nos EUA.”

Fake news como arma de negócio

As pressões internacionais para a captura da Embraer começaram a ficar visíveis dias antes da sua divulgação oficial, quando viralizou nas redes um vídeo falsamente atribuído à empresa, apontando o Brasil como o lugar dos “impostos mais altos do mundo”, com os carros, os juros, os pedágios “mais caros do mundo”, entre outras informações mentirosas.

“O vídeo já era parte da estratégia de tomada da empresa, desqualificando o Brasil como lugar de negócios, construindo uma narrativa para justificar a sua saída do país”, analisa Francisco Teixeira.

Outro front de batalha poderá ser as bolsas de valores de São Paulo e Nova York, onde está a maioria das ações da Embraer, “democraticamente pulverizadas”, segundo o historiador. A confirmação do interesse da Boeing já provocou aumento de 40% nas ações da Embraer negociadas no mercado.

Fonte: Verônica Couto/SOS Brasil Soberano

A venda da Embraer representa prejuízo para o país e moeda eleitoral para Meirelles, diz historiador

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Foi anunciada, no jornal “The Wall Street Journal”, a possível venda da Embraer para a norte-americana Boeing. Com lucro líquido de R$351 milhões no 3º trimestre deste ano, a Embraer é a terceira maior fabricante de aviões comerciais do mundo e única fabricante brasileira de aviões, perdendo apenas para a própria Boeing e a AirBus. Isso significa que o interesse da Boeing nessa negociação é acabar com a concorrência da Embraer e disputar com as demais empresas internacionais. Embora privatizada em 1994, a União tem a chamada “golden share”, que possibilita poder de veto ao governo federal em decisões estratégicas, como em negociações de vendas e fusões da empresa, mesmo sem ter o controle acionário. Dos cerca 20 mil trabalhadores, existem engenheiros dedicados à formulação de ações e produção de tecnologia e inovação.

Em um momento de tensão econômica e profundo desemprego, a alternativa deveria perpassar por um modelo de Estado robusto. Defendemos a nacionalização da Embraer como saída da atual crise, como fator de geração de emprego e renda, estímulo ao mercado interno e à produção de ciência e tecnologia e em defesa da soberania, fortalecendo uma política de defesa nacional. Repudiamos a proposta de venda da Embraer para o capital estrangeiro e exigimos o veto a essa negociação.

Conclamamos as pessoas nacionalistas a defenderem a Embraer e a soberania de nosso país. Dizemos não à entrega da Embraer!

Rio de Janeiro, 22 de dezembro de 2017

Não à venda da Embraer para a norte-americana Boeing

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