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por Camila Marins

“O nosso grande desafio é promover e sustentar o crescimento econômico”, afirma o diretor do DIEESE, Clemente Ganz.

Foto: Alessandro Carvalho

De acordo com dados do IBGE, a variação do PIB total em 2008 foi de 5,1% e em 2017 de 1,0%. O crescimento do PIB de 1% em 2017 deixou o Brasil em último lugar dentro de um ranking de 45 países. O sociólogo e diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz, fala sobre os pilares de um projeto de retomada do desenvolvimento econômico.

É sociólogo graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Paraná. Desde 2004 é Diretor Técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos – DIEESE. Atualmente é Docente Horista da Escola DIEESE de Ciências do Trabalho, Membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República (CDES) e Membro do Conselho de Administração do Centro de Altos Estudos Brasil Século XXI.

Quais os principais problemas macroeconômicos do Brasil e de onde pode vir o impulso para a geração de empregos?

São vários os problemas macroeconômicos, mas eu resumiria que o nosso grande desafio é promover e sustentar o crescimento econômico. Considero que duas dimensões são fundamentais, de um lado ampliar o investimento público e privado, investimento em infraestrutura econômica e social. Isso requer como resposta uma reorganização da capacidade de financiamento para investimento. Portanto, uma reorganização de todo o sistema financeiro, voltado para o investimento produtivo e uma equação macroeconômica que coloque e permita que o câmbio tenha um equilíbrio que sustente o desenvolvimento produtivo, além de uma integração econômica fortalecida pela capacidade de produção de manufatura e de serviços que são exportáveis para o mundo.

A produção dessa estratégia é complexa e exige um projeto de estruturação de um desenvolvimento em termos de diversidade industrial, tamanho do mercado interno, posicionamento geopolítico e vantagens competitivas. A outra dimensão fundamental se dá por um lado pelo próprio investimento e de
outro lado pela capacidade do Estado tenha de realizar os investimentos. 

“O PAPEL DA ENGENHARIA É DAR SUPORTE, PROMOVER CAPACIDADE, CONSTRUIR OS ELEMENTOS QUE DÃO CAPACIDADE ECONÔMICA PARA UMA SOCIEDADE”

Especificamente no caso do Estado, a sustentação da demanda exige uma reorganização fiscal, articulada a partir de uma estratégia de crescimento econômico que, em um primeiro momento, gera capacidade para retomada do crescimento. No segundo momento, na medida que o crescimento promova a ampliação da própria capacidade fiscal do Estado, reorganizar um equilíbrio fiscal, reorganizar o orçamento público de tal maneira que o investimento tenha um orçamento próprio, garantindo uma sustentação de médio e longo prazo. De outro lado que os gastos sociais possam ser debatidos e, politicamente, definidos à luz das prioridades que o país tem e daquilo que a capacidade fiscal vai gerando em termos dos investimentos.

No âmbito das famílias, é fundamental que nós tenhamos uma política emergencial de curtíssimo prazo, visando criar ocupações para gerar renda para aquelas pessoas que estão em situação de desemprego de longa duração e, rapidamente, estruturar uma política de investimento, de reorganização da nossa capacidade, de estruturação econômica e social de investimento necessário para o espaço urbano e rural. E nessa política de investimento rearticular o sistema produtivo para uma estratégia na qual a nossa base de produção econômica esteja orientada para a estruturação de formação de capital, capa-
cidade produtiva, formação de uma mão de obra em termos de conhecimento. É necessário que essa articulação resulte em um projeto que traduza as nossas prioridades em termos de crescimento, de geração de empregos àquelas nossas capacidades reais de desenvolvimento econômico. Essa relação entre investimento, papel do Estado e a organização das empresas e dos investimentos na ampliação do capital e, portanto, da tecnologia aplicada e do conhecimento é fundamental.

Qual o papel da engenharia na economia e no desenvolvimento social?

A engenharia é aquela área de produção de conhecimento e da ciência que reúne desenvolvimento e a capacidade cognitiva de resolver problemas e de dar materialidade a soluções que possam transformar uma realidade em relação aquilo que se busca. A capacidade de engenharia está associada a uma capacidade que a sociedade tem de estruturar a sua base econômica e os processos de produção que geram bens e serviços, que dão todos os elementos que compõem a nossa vida cotidiana, do ponto de vista de infraestrutura econômica e social. O papel da engenharia é dar suporte, pro-
mover capacidade, construir os elementos que dão capacidade econômica para uma sociedade produzir o seu desenvolvimento social.

Para um próximo governo, quais deveriam ser as primeiras medidas ao tomar posse?

Primeiro será necessário ter uma grande iniciativa de articulação no âmbito do Congresso e com os agentes econômicos e sociais para estruturar as grandes iniciativas de organização do nosso desenvolvimento econômico e social. A organização de processos legislativos que autorizem transformações, seja na estrutura tributária e sistema produtivo, ou recolocando em padrões e condições para que o desenvolvimento nacional seja centrado na capacidade produtiva da nossa economia para estruturar o nosso desenvolvimento social. Isto exige pactuação entre trabalhadores e empregadores, iniciativas de reorganização do Estado brasileiro e de uma estratégia de desenvolvimento produtivo. Ao mesmo tempo, é necessário reorganizar rapidamente a estrutura orçamentária da União, rever a lei do teto (PEC 95), recolocar a organização do sistema tributário e da organização fiscal do Estado em novos patamares com centralidade no investimento e políticas sociais. É preciso uma reestruturação muito forte visando fortalecer o Estado com tecnologia da informação e capacidade gerencial para administrar a complexidade das políticas públicas e do desenvolvimento econômico. É necessário urgentemente reto-
mar obras públicas que estão paradas para gerar emprego, demanda para indústria, resultando no desenvolvimento da atividade produtiva.

Que áreas são estratégicas para o desenvolvimento do Brasil?

Considero a infraestrutura econômica a base de uma grande estratégia de desenvolvimento para fazer parte de uma estratégia de médio e longo prazo nos setores de energia, transporte, comunicação, articulados com uma capacidade produtiva distribuída e indutora de pesquisa, de ciência, de tecnologia e de inovação. A outra dimensão fundamental é que 85% da nossa população já mora no espaço urbano que se coloca como uma oportunidade de grandes investimentos e de profundas mudanças. Isso significa pensar um espaço urbano saudável para a vida coletiva, acompanhado por saltos tecnológicos que as áreas de energia, comunicação e transporte podem dar.

O Brasil tem um vasto território e toda a área de lazer e de turismo pode ser desenvolvida a uma vasta capacidade de produção agrícola. Temos as maiores áreas de terra agriculturáveis, portanto, a produção de alimentos é um eixo estruturante do nosso desenvolvimento econômico e a industrialização dessa produção é elemento essencial para agregação de valor. A produção de ciência e tecnologia ao desenvolvimento de tecnologias inovadoras na área da produção alimentar é uma parte fundamental do nosso desenvolvimento. A nossa biodiversidade é uma oportunidade de produção e de industrialização de medicamentos para uma sociedade que envelhece.

 

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A Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) lançou, no dia 23/08, o livro “O Mercado de Trabalho Formal dos Profissionais de Engenharia”. A publicação reúne dados fornecidos pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) sobre o mercado de trabalho formal dos profissionais de engenharia em 2016. “Esta publicação tem o objetivo de ser um instrumento de fortalecimento da engenharia brasileira e também de orientação à ação sindical. Seu escopo abrange os profissionais formalmente empregados, agrupados nas seguintes categorias: engenheiros, agrônomos, geólogos/geofísicos e demais categorias, sendo este último agregado composto por geógrafos, físicos e meteorologistas”, afirmou o engenheiro e presidente da Fisenge, Clovis Nascimento. Também é possível acessar a versão resumida.

Confira o livro AQUI.

Fisenge lança livro sobre o mercado de trabalho de engenheiros

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Com carga horária de 24 horas, as aulas aconteceram ao longo de três dias, e reuniram líderes sindicais de todo o estado.

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O auditório do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Paraná (Senge-PR) recebeu, na última semana, o curso Comunicação e Expressão, ofertado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) e facilitado pelo próprio Senge-PR.

Voltado para líderes sindicais, o objetivo do curso é desenvolver a expressão verbal a partir de exercícios sobre comunicação, possibilitando a superação de dificuldades relacionadas à exposição de ideias, discussão de conceitos, formulação de argumentos e condução de atividades sindicais, como assembleias e negociações.

Além de diretores de diversas regionais do Senge-PR, líderes de entidades sindicais de todo o estado participaram do curso. Com carga horária de 24 horas, as aulas aconteceram ao longo de três dias.

 

FONTE: Senge-PR

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Principais índices e cálculos já estão disponíveis na ferramenta. Basta apenas um clique

Dieese lança aplicativo para ajudar nas negociações sindicais

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) lançou um aplicativo com os principais cálculos que um dirigente necessita em uma rodada de negociação. A ferramenta pode ser acessada por meio de qualquer modelo de celular.

Com apenas um toque, pode-se ter acesso à calculadora de perda salarial, benefícios e abono, por exemplo. Além disso, a entidade oferece gráficos com reajustes, cláusulas em destaque, pisos regionais e reajustes de pisos.

“Além do uso em negociações coletivas, queremos que, a partir do aplicativo, o dirigente faça demandas a uma unidade de atendimento remoto do Dieese. Pretendemos, assim, reorganizar a forma de fazer o atendimento sindical nas negociações coletivas, permanentemente e em tempo real”, explicou o Diretor Técnico do Dieese, Clemente Ganz.

Por meio do aplicativo, que inicialmente é aberto e gratuito - depois será cobrado um valor sobre os serviços oferecidos -, o Dieese pretende iniciar uma nova era, entrando de vez no universo virtual. Além disso, diz Clemente, a tecnologia ajuda a resistir a essa situação nova de falta de recursos.

“Isso já fazia parte do projeto do Departamento e estamos acelerando o desenvolvimento da ferramenta com o máximo de opções para os usuários terem mais autonomia para acessar virtualmente uma série de informações”, diz Clemente.

Segundo ele, o Dieese está criando uma equipe que ficará responsável somente pelo atendimento remoto.

“São postos novos de trabalho para atender esse tipo de demanda, desde a construção do aplicativo até os serviços que serão oferecidos no futuro, para que, na ponta, o dirigente ganhe com rapidez e agilidade e, para isso, estamos batalhando para ter uma unidade que faça atendimento das 8h às 20h”, complementou o diretor técnico do Dieese.

 

FONTE: CUT / Escrito por: Luciana Waclawovsky

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Empresa pode ser vendida para a holandesa LyondellBasell, que se tornaria a maior petroquímica do mundo, monopolizando a produção de resinas plásticas no Brasil.

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Foto: Divulgação Brasken

Dieese alerta que a venda da Braskem para a transnacional holandesa LyondellBasell representa riscos para toda a cadeia petroquímica no Brasil, pois inviabiliza o planejamento estratégico de longo prazo para o setor com a saída da Petrobras, que anunciou que deverá acompanhar a movimentação da Odebrecht, optando pela venda conjunta da sua parcela no negócio.

"Abrir mão de um setor tão estratégico e dinâmico pode aprofundar a desindustrialização no país, promover o fechamento de empresas e de postos de trabalho e, consequentemente, minar as possibilidades de construção de uma sociedade justa e igualitária", diz o Dieese, em nota técnica na qual avalia o novo cenário que se redesenha para o setor petroquímico a partir da eventual desnacionalização da Braskem.

Os técnicos do Dieese lembram que a empresa detém o monopólio da produção de resinas no Brasil – matéria-prima utilizada na produção dos mais diversos tipos de materiais plásticos – e que os eventuais novos proprietários acabarão ditando o preço desses insumos. Nesse aspecto, os prejuízos seriam não apenas para a indústria brasileira, mas também atingiriam o consumidor final, já que o plástico está presente em inúmeros produtos, desde roupas a eletrodomésticos.

A Braskem é hoje a sexta maior companhia do mundo no setor petroquímico. Além do Brasil, tem plantas nos Estados Unidos, no México e na Alemanha. No Brasil, a companhia emprega cerca de 6 mil trabalhadores, com 2.500 só no Polo Petroquímico de Camaçari, na Bahia. Se confirmada a fusão, a LyondellBasell deve se tornar a maior produtora de resinas termoplásticas do mundo. A expectativa do mercado é que o negócio seja firmado em até dois meses.

"As decisões relativas ao setor petroquímico brasileiro não podem ser implementadas isoladamente, sem articulação com uma política de soberania nacional que promova efeitos positivos em toda a cadeia: da extração do petróleo até a produção do plástico (do poço ao plástico) e gere empregos decentes, contribuindo para a melhoria das condições – de vida e de trabalho – dos trabalhadores", diz um trecho da nota.

O Dieese avalia também que o controle da Braskem pelo grupo holandês deve aumentar ainda mais o déficit da indústria química na balança comercial brasileira que, nos últimos 17 anos, enviou mais de US$ 186 bilhões ao exterior em remessas de lucros e dividendos. De acordo com dados do IBGE de 2016, a cadeia petroquímica brasileira representa cerca de 14,3% do valor bruto da produção industrial do país e emprega cerca de 664 mil de trabalhadores nos diversos setores que a compõem.

 

FONTE: CUT / Escrito por Redação RBA

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Pesquisa aponta que o preço do gás de cozinha chega a afetar em até 59% o orçamento familiar dos mais pobres. Para o Dieese, greve dos caminhoneiros mostrou o iceberg da política nefasta de preços da Petrobras

Mais pobres pagam pela política de preços da Petrobras, mostra Dieese

FOTO: PEDRO VENTURA / AGÊNCIA BRASÍLIA

A greve dos caminhoneiros que paralisou o país em maio último, acendeu a luz sobre os preços praticados pela Petrobras não apenas na questão do diesel e da gasolina, mas também no quanto afeta o orçamento familiar, o preço do botijão de gás.

A partir dessa premissa, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) fez o levantamento de preços e as conseqüências dos constantes reajustes dos derivados de petróleo praticados após maio de 2016, sobre o orçamento doméstico, principalmente das famílias mais pobres.

Entre as famílias 10% mais pobres, o preço do gás pesou mais no orçamento daquelas que viviam no Maranhão (59,0%), Acre (51,5%) e em Sergipe (50,7%). Os menores percentuais foram registrados em São Paulo com (10,8%), Distrito Federal (10,1%) e Santa Catarina (8,9%).

Os dados confirmam a tese de que a política de preços da Petrobras, após maio de 2016 está deixando um forte impacto negativo na renda dos brasileiros.

A nota do Dieese diz que “o valor do botijão de GLP residencial (13 kg) ficou congelado em R$ 13,51 nas refinarias da Petrobras, entre janeiro de 2003 e agosto de 2015. Em julho de 2017, estava em R$ 17,81 e, em dezembro desse mesmo ano, chegou a R$ 24,38, salto de 37%”.

“A nova política de preços adotada pela direção da Petrobras para o GLP de 13 kg não leva em consideração a resolução 4/2005 do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que “reconhece como de interesse para a política energética nacional a prática de preços diferenciados, por produtor ou importador, de gás liquefeito de petróleo (GLP), destinado exclusivamente a uso doméstico em recipientes transportáveis de capacidade de até 13kg, pois tem elevado impacto social, posto que seu custo de do custo do botijão de gás no orçamento doméstico”.

Para o diretor técnico do Dieese Clemente Ganz Lúcio, os números apresentados pela pesquisa demonstram que a Petrobras tem um peso importante na vida dos brasileiros.

“A paralisação dos caminhoneiros mostrou o impacto da política absurda de preços da Petrobras, e para o Dieese é importante alertar a população e ajudar o movimento sindical a ter mais informação de forma organizada, de que como a formação de preços da estatal afeta a economia brasileira”, diz Clemente.

Veja a íntegra da pesquisa aqui

 

FONTE: CUT / Escrito por Rosely Rocha

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No dia 21 de junho, às 9h30, ocorrerá o “Café com Política”, um debate sobre “Os efeitos do choque ultraliberal no Brasil”. O evento, promovido pelo SOS Brasil Soberano, é uma iniciativa do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ) e da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) e contará com um debate com os economistas do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IE-UFRJ), Luiz Carlos Prado e Eduardo Pinto e com a mediação da cientista política e coordenadora do Dieese, Jéssica Naime.

SOS Brasil Soberano promove debate sobre “Os efeitos do choque ultraliberal no Brasil"

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DIEESE divulga nota técnica sobre a escalada do preço dos combustíveis

O DIEESE divulgou uma nota técnica sobre a política de precificação do preço dos combustíveis. “A escalada nos preços dos derivados no Brasil, neste momento, está relacionada a fatores de natureza conjuntural (principalmente devido a elementos da geopolítica do petróleo e valorização do dólar diante do real) e a fatores internos (escolhas da política de preços adotada pela Petrobras)”, aponta o documento.

A nota esclarece temas como o cenário externo e o aumento do preço do petróleo; a nova política de preços da Petrobras; os efeitos da política de paridade internacional dos preços dos derivados; e como era a política de preços dos derivados antes da atual gestão.

A nota técnica está disponível na íntegra neste link: 

https://www.dieese.org.br/notatecnica/2018/notaTec194PrecosCombustiveis.html

Por: Stéphanie Marchuk - Estagiária de comunicação 

Com supervisão de Camila Marins

 

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A mais longa série histórica de dados sobre emprego no Brasil, realizada há 35 anos de forma ininterrupta, corre o risco de acabar. A Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), feita pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), chegou a cobrir nove Regiões Metropolitanas, mas agora se restringe a São Paulo, Salvador e Distrito Federal. O Rio Grande do Sul anunciou este mês o cancelamento da pesquisa na sua área. E o governo federal, embora tenha se comprometido a repassar os recursos – previstos em portaria do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) –, não destinou nada à PED em 2017 nem em 2018, afirma a coordenadora da área de pesquisa do Dieese, Patrícia Pelatieri.

As razões para o esvaziamento da pesquisa misturam as dificuldades econômicas dos Estados ao desinteresse político em colher dados que subsidiem políticas públicas voltadas aos trabalhadores. Uma perda crítica de conhecimento, especialmente quando os cortes de direitos promovidos pela reforma trabalhista e pela crise fomentam a informalidade, o trabalho intermitente, a migração para atividades precárias e outras formas de degradação nas relações de produção.

“O movimento sindical precisa ter uma pesquisa para fazer a disputa da visão hegemônica sobre a reforma, para analisar seus efeitos sob a ótica do trahalho”, alerta Patrícia. “Mesmo para o gestor público, na crise é quando você mais precisa de dados, para saber qual política pública terá mais retorno, de forma mais rápida, e onde colocar o investimento, considerando mobilidade, distribuição regional, setores produtivos.”

A PED é um complexo estatístico de pesquisas domiciliares, baseadas em metodologia criada pelo Dieese e pela Fundação Seade, de São Paulo. Faz parte das políticas que compõem o Sistema Público de Emprego Trabalho e Renda (SPETR), com previsão de dotação orçamentária do FAT. Desde a sua criação, Patrícia lembra que a PED tem exercido um papel de vanguarda na conceituação do mercado de trabalho brasileiro, com maior aprofundamento na investigação das especificidades da realidade nacional.

“Vários conceitos da PED foram adotados pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) e incorporados nas atualizações da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, feita pelo IBGE)”, diz ela. “A estatística oficial utilizava conceitos mais universais que não refletem o mercado brasileiro, com uma estrutura diferente da do europeu.”

Durante muitos anos, o desempregado foi caracterizado nos levantamentos da PNAD e na antiga pesquisa de emprego do IBGE (encerrada em março de 2016 e substituída pela nova PNAD mensal) como aquele/a que tivesse procurado emprego nos últimos sete dias. Se não o tivesse feito, mesmo que a pessoa não possuísse ocupação nem renda, passava a ser considerada “inativa”. Mas a partir da experiência da PED, o prazo para classificação foi estendido para 30 dias, período incorporado também nas recomendações da OIT em 2015, durante a Conferência das Estatísticas do Mundo. “A PNAD tem uma abrangência maior mas não permite desagregar tanto os dados”, afirma Patrícia.

A PED também trouxe o conceito de desemprego por “desalento”, quando a pessoa não procura emprego não porque não precise dele, mas porque está há tanto tempo tentando sem sucesso, que desiste de fazê-lo durante aquele período pesquisado. Essa situação, apontada recentemente pelo IBGE, há mais de 30 anos já era analisada na pesquisa do Dieese. Além disso, como a pesquisa de emprego do IBGE sofreu alterações ao longo dos anos até ser extinta, e a PNAD também mudou sua metodologia, a PED teria a única série histórica consistente capaz de, por exemplo, comparar a evolução do emprego nos diferentes governos desde a redemocratização, em 1985, confrontando dados das gestões dos ex-presidentes eleitos José Sarney (PMDB), Fernando Collor Mello (pelo o então PRN), Itamar Franco (PMDB), Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Lula (PT) e Dilma Rousseff (PT).

Mesmo assim, o governo federal contrariou portaria vinculada à legislação do FAT e não repasssou recursos para a pesquisa em 2016 nem em 2017. No ano passado, a relatoria do Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat) destinou R$ 5 milhões para a PED. O recurso foi contingenciado e nunca liberado. E o Dieese arcou com os custos, com verba proveniente do movimento sindical. “Não acabam formalmente com a pesquisa mas vão minando o seu processo de realização”, diz Patrícia.

Repasse federal ficou na promessa

O repasse federal deveria cobrir, em média, a demanda de cerca de R$ 1 milhão para cada região, com os Estados entrando com mais R$ 1 milhão cada. Com a informatização da gestão da pesquisa, desde 2014, o custo caiu em 25%, o que permitiu um fôlego adicional ao longo do ano passado. O governo de São Paulo possui orçamento próprio para manter a PED, mas capitais como Recife e Fortaleza dependiam da verba do FAT e desistiram do levantamento. Atualmente, também o trabalho em Salvador e no Distrito Federal está sendo financiado pelos governos locais.

Para o governo do DF (GDF), além da pesquisa de emprego e desemprego, o Dieese aplica desde janeiro um questionário para captar as mudanças da nova legislação trabalhista. Os primeiros resultados devem ser divulgados em setembro, já apontando trasnformações estruturais. “São movimentos que a pesquisa geral já pega, como o aumento de trabalhadores por conta própria, mas com mais detalhes sobre o tipo de contratação: se é intermitente, em que áreas acontece, etc”, explica Patrícia.

No Rio Grande do Sul, a pesquisa era contratada pela Fundação de Economia e Estatística (FEE), fechada pelo governo do Estado que, no entanto, havia se comprometido a manter a PED. No início de março, contudo, os técnicos do Dieese receberam notificação suspendendo o termo de cooperação.

A perda de sustentação financeira da PED, além de contrariar diretrizes normativas do FAT e do Codefat, prejudica principalmente a capacidade de expandir o levantamento nacionalmente, lamenta Patrícia. “As centrais sindicais foram ao Ministério do Trabalho e ao Codefat, e havia uma sensibilidade quanto à importância da pesquisa. O então ministro Ronaldo Nogueira (PTB) [que se demitiu da pasta em dezembro de 2017] comprometeu-se com o repasse dos recursos, sem que tivéssemos, contudo, nenhum encaminhamento nesse sentido. Ténicos e gestores da pasta também manifestaram interesse e estão empenhados a dar continuidade à PED. Mas até agora nada aconteceu.”

As amostras PED são robustas, com entrevistas em 7.500 domicílios por trimestre, em cada região de investigação, e uma metodologia que “garante a produção de diagnósticos aprofundados sobre a condição socioeconômica de populações, que vão além das visões panorâmicas e restritas ao cálculo da taxa de taxas de desemprego, taxas de participação e remunerações médias”, conforme argumenta o documento “Cinco razões para manter a PED”, produzido pelo Dieese.

A mesma fonte destaca a grande diferenciação na situação de vida e trabalho das populações regionais, que a pesquisa permite registrar. “Um aumento na taxa de juros, por exemplo, rebate sobre o emprego de norte a sul, mas o peso dessa medida recai diferentemente sobre a Região Metropolitana de Porto Alegre e a de Salvador. Isso acontece porque, na vida e inserção produtiva das pessoas, o desenvolvimento local desempenha papel tão importante quanto decisões nacionalmente centralizadas. Atuar de modo efetivo, então, e, preferencialmente, antevendo problemas sociais, requer conhecimento aprofundado sobre realidades distintas.”

Confira neste link os dados obtidos pela PED

Fonte: Veronica Couto/SOS Soberano

Governo segura recursos e a mais longa série de dados sobre emprego, feita pelo Dieese, pode acabar

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O Dieese lançou um aplicativo, chamado Negociando, para que cada trabalhador ou categoria possa calcular perdas e reajustes salariais e de benefícios, com base nos índices de inflação.

O aplicativo está disponível para baixar na “playstore” dos celulares ou tablets, e é bem simples de usar, com três funcionalidades básicas. Uma delas compara os índices de inflação e do reajuste salarial, apontando perdas ou aumentos reais no período. A outra faz o cálculo dos abonos ou benefícios complementares que seriam necessários para repor perdas, no caso de o reajuste do salário ser inferior à inflação; e a terceira avalia o vale-alimentação ou vale-refeição, indicando em quanto deveriam ser corrigidos, com base em determinado período, para recuperarem seu valor de compra.

No vídeo, o presidente do Dieese, Bernardino Brito, apresenta o sistema, que está tanto no Google Play, para celulares com sistema operacional Android, quanto na Apple Store, para iPhone.

Fonte: SOS Brasil Soberano

Dieese lança aplicativo que calcula perdas salariais

 

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