Sexta, 08 Setembro 2017 15:50

Engenharia e mercado de trabalho são temas da primeira mesa do Fórum de Estudantes

O Fórum é parte da programação do 11º Consenge, que acontece até sábado (9) em Curitiba/PR

O II Fórum de Estudantes de Engenharia começou nesta quinta-feira (7/9), com palestras sobre “Engenharia e Mercado de Trabalho”, que contou com a participação do engenheiro, vice-presidente da Fisenge e diretor do Senge-PE, Roberto Freire, do professor e diretor acadêmico da Associação Brasileira de Educação em Engenharia (ABENGE), Luis Edmundo Campos. O Fórum é parte da programação do 11º Congresso Nacional de Sindicatos de Engenheiros (Consenge), que acontece até sábado (9/9), em Curitiba (PR).

Para a coordenadora do Senge Jovem Paraná, Letícia Partala, é muito importante o fortalecimento do vínculo dos estudantes com os sindicatos de engenheiros, em especial pelo momento de crise política e econômica que o Brasil atravessa. "O ataque aos direitos trabalhistas e à soberania do nosso país diz respeito a nós, estudantes e futuros engenheiros e engenheiras. São o nosso presente e nosso futuro que estão em jogo. Em alguns anos, seremos nós que estaremos à frente dos sindicatos e são vivências como o Senge Jovem que nos preparam e nos inserem na luta", pontua estudante de engenharia química.

Engenharia e mercado de trabalho são temas da primeira mesa do Fórum de Estudantes

O vice-presidente da Fisenge apresentou um breve histórico sobre as relações de trabalho e o mercado desde o final do império brasileiro. “O Brasil era um país agroexportador, principalmente cana de açúcar e café. O que havia de máquina no país eram, principalmente, as que moíam a cana e os trens, para o transporte”, lembrou. De acordo com ele, nessa época, não existia regulamentação alguma do trabalho e qualquer demanda ou reclamação do trabalhador era caso de polícia.

Depois de avanços nas relações trabalhistas, consolidadas durante o governo de Getúlio Vargas e também com a regulamentação profissional da engenharia, somadas, ainda, com os avanços dos governos recentes de Lula e Dilma, “corremos o risco de voltar a ser apenas um país agroexportador”, afirma Freire.

Outra mudança no mercado de trabalho atual, na opinião de Freire, é a “uberização”. “O mundo atual é o mundo do 24/7, ou seja, a lógica de trabalho 24 horas por dia, 7 dias por semana. De alguma forma, vocês estão dormindo muito menos, porque vocês estão conectados o tempo todo”. Para ele, os aplicativos estão dominando o mercado como, por exemplo, o Helper, o Uber da engenharia; o Uber da Educação e o Cataki, aplicativo utilizado por catadores de materiais recicláveis.

O engenheiro no século XXI

O professor Luis Edmundo fez uma apresentação a respeito do perfil do engenheiro no século XXI. “O mercado considera que a parte técnica está bem resolvida, precisa melhorar a outra parte, que é o relacionamento interpessoal. Os futuros engenheiros precisam saber lidar com as pessoas, sejam de hierarquia superior ou inferior a elas. Os estudantes não aprendem a se relacionar na universidade”, destacou. Ele defende que os professores exercem um papel fundamental na formação dos futuros profissionais.

Experiências na engenharia

O presidente do Senge-BA, Ubiratan Felix, relatou sua experiência após se formar, quando o Brasil passava também por uma crise econômica. Ele aproveitou a oportunidade para deixar um recado para os estudantes presentes: “Não desistam. A vida é difícil, mas não desistam. Eu poderia ter desistido, tinha uma pressão forte. Eu não tenho uma origem rica, eu tenho uma origem pobre. Mas, não desisti. E vocês não podem desistir. Eu sofria muito, porque você se formar e não ter emprego é muito pesado. Mas, é um momento conjuntural, não vai ser sempre assim. Eu tenho certeza. Quem ficar e batalhar, vai ter seu espaço. Se qualifique, seja bom, seja profissional”.

A engenheira recém-formada Taise de Almeida, integrante da delegação do Senge-BA, também compartilhou sua experiência com os presentes. “Saí da universidade com a esperança de encontrar um lugar no mercado. Mas, na realidade, não foi assim. Foi no meu período de finalização de curso, que vivi a minha maior decepção da engenharia. Eu vi a crise se alastrar, vi uma quantidade enorme de empresas fechando, empresas que sempre deram empregabilidade ao engenheiro. E, infelizmente, esse quadro não melhorou. Mas, acredito que a engenharia é cíclica, ela vive de crises e crises. Apesar de ter ouvido que nunca houve uma como essa, eu acredito que, mais uma vez, o momento vai passar e nós vamos encontrar uma luz no fim do túnel e vamos nos encontrar no mercado de trabalho”, desabafou.

Texto: Marine Moraes
Edição: Camila Marins e Ednubia Ghisi
Foto: Joka Madruga