A partir de 11 de novembro começa a valer as alterações da Reforma Trabalhista, aprovada recentemente no Congresso Nacional. E qual o reflexo disso para os direitos trabalhistas? “A reforma trabalhista faz com que todo o direito do trabalho seja destruído, rompe com o direito do trabalho protetivo, com a função social do direito do trabalho e com a dignidade da pessoa humana”. Esta é uma das afirmações do advogado trabalhista Claudio Santos da Silva, que em palestra no Senge abordou os impactos da alteração para os engenheiros.
Para o advogado, a reforma viola a Constituição Federal e as Convenções Internacionais, das quais o Brasil é signatário, “de forma nunca vista antes na história do país”. “Nós estamos diante da legalização da fraude, da institucionalização do calote e da retirada dos direitos”, diz, sobre a mais profunda reforma trabalhista feita desde a criação da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), de 1943.

A palestra com o especialista em direito trabalhista foi no dia 29 de agosto, na sede do Senge em Curitiba e transmitido pela internet. Publicamos aqui uma síntese com os principais pontos da palestra do advogado. Mas a íntegra da fala do especialista também pode ser assistida agora mesmo, pelo canal do Youtube do Senge. Clique abaixo e confira AQUI

 

Confira o vídeo sobre impactos da Reforma Trabalhista para os engenheiros

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Palestras e mesas-redondas sobre temas como “Marco Regulatório da Mineração” e “Cadastro de Imóveis Rurais”, Homenagem do Mérito, milhares de profissionais, especialistas, gestores e estudantes de todo o País. Esse é o roteiro da 74ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia, a ser aberta na próxima terça (8) e prosseguindo até sexta (11), no Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, em Belém (PA). Maior evento da área tecnológica do País e tendo como tema “A Responsabilidade da Engenharia e da Agronomia para o Desenvolvimento do País”, a Soea já conta com a confirmação de 3,5 mil participantes. Todos eles já podem baixar o aplicativo com a programação e as novidades do evento. Valter Fanini, engenheiro civil e diretor do Senge-PR, participa do evento como representante da entidade.

Na primeira noite, será promovida a Homenagem ao Mérito. Doze profissionais receberão a Medalha do Mérito, além de outros 12 familiares ou representantes de homenageados com a inscrição no Livro do Mérito, a ser lançado na ocasião. Neste ano, haverá ainda menções honrosas para a Confederação das Associações de Engenheiros Agrônomos do Brasil (Confaeab), Instituto Agronômico do Panamá (Iapar) e Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), e ainda homenagens especiais concedidas pelo Sistema Confea/Crea para a engenheira agrônoma Ana Maria Baronesa Primavesi; Universidade de São Paulo (USP) e engenheiro civil Carlos Alberto Mineiros Aires, bastonário da Ordem dos Engenheiros de Portugal (OEP). Confira a relação dos homenageados aqui.

A Mútua – Caixa de Assistência dos Profissionais do Crea também terá uma programação especial durante a Soea. Denominada Momento Mútua, ela dialogará com profissionais e estudantes, por meio de palestras, entrega do prêmio Mútua/Anprotec de Inovação e Empreendedorismo, que reuniu 50 inscritos, e lançamento do livro “Contecc: uma contribuição à Ciência, Tecnologia, Inovação e Empreendedorismo”, em torno das experiências acumuladas pelo Congresso Técnico-Científico da Engenharia e da Agronomia, que chega este ano a sua quarta edição com a participação de 540 inscritos.

Com informações da equipe de Comunicação do Confea

Senge-PR participa da 74ª Soea, em Belém

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Nos dias 22 e 23 de julho de 2017 foi realizado em Faxinal do Céu o II Encontro Estadual do Senge Jovem Paraná, onde foi debatido o papel da engenharia no processo de desenvolvimento do Brasil e da conjuntura política atual.

O objetivo desta carta é sintetizar o que foi discutido no encontro e elaborar um manifesto dos estudantes de engenharia do Paraná frente à situação da formação tecnológica e social dos jovens engenheiros, o retrocesso nos direitos trabalhistas e da previdência e a precarização do trabalho em geral promovida por um governo ilegítimo fruto de um golpe. O que reforça a necessidade de insistirmos no caminho democrático, para solucionar os problemas que hoje afligem a população brasileira.

Há um projeto de precarização da engenharia em curso, tanto pelas reformas quanto pela economia de mercado internacional, através do desmonte das empresas públicas e também do controle das políticas implementadas pelo governo federal por agentes financeiros externos, condicionando o Brasil a um papel subalterno dentro da geopolítica mundial.

Isso tem reflexos diretos no desenvolvimento da nação e da engenharia nacional, tanto no mercado de trabalho que se encontra precarizado quanto no ensino, pesquisa e extensão.

A organização dos jovens engenheiros se faz não somente urgente pela atual conjuntura, mas também necessária para a construção de uma resistência sólida aos ataques à engenharia e à soberania do povo brasileiro.

No que tange ao desmonte e precarização do ensino no país, deve-se defender a autonomia e diversidade da Universidade Federal de Integração Latino Americana-UNILA, um projeto concebido para a integração dos povos latino-americanos através do desenvolvimento humano, tecnológico, social e econômico, proporcionando elos de irmandade e cooperação entre as nações que a compõe. A UNILA tem hoje chances reais de ser desmembrada para a criação de uma universidade exclusivamente brasileira, em um ato político claramente xenófobo e de desintegração regional. Especificamente na área da engenharia, a UNILA contribui com o engrandecimento da função social da engenharia e oferecendo curso de alto nível. A UNILA resistirá com apoio do Senge Jovem em favor do marco na emancipação da integração latino-americana, historicamente sujeita aos interesses longínquos e de poucos, que apenas nos últimos anos passou revisto e que agora é novamente colocado em cheque.

No contexto estadual deve-se resistir aos ataques do governo do estado às universidades públicas do Paraná, como por exemplo a política de gestão de funcionários conhecida como meta 4, uma medida de arbitrária que visa cortar recursos do ensino superior público no estado. As universidades vêm sendo pressionadas a aderir a meta 4 sob ameaças de serem fechadas caso não venham a aderir as diretrizes de corte orçamentário impostas pelo governo Richa.

Deve-se consolidar o espaço do Senge Jovem dentro das universidades com ações afirmativas e com a disputa de espaços de representação. Formar e disputar a comunicação do Senge Jovem nas redes sociais e nas mídias convencionais, no intuito de capacitar os agentes regionais nas ferramentas de comunicação e otimizar o processo de publicação de ações promovidas pelo Senge Jovem.

A pauta das mulheres, negros e LGBTs nas engenharias e no mercado de trabalho, deve ser incluída nos trabalhos do Senge Jovem, no intuito de democratizar cada vez mais os espaços de discussão e de consolidar uma engenharia inclusiva e sem opressões e desigualdades de qualquer natureza.

Em síntese, firma-se essa carta, elaborada e aprovada pelos estudantes de engenharia do Paraná, pela valorização da engenharia nacional, em defesa da nossa soberania e pela quebra de paradigmas das engenharias, pautando uma engenharia democrática, empoderada e popular, na perspectiva de construção de um projeto nacional, que avance na consolidação de uma sociedade plural e para todos e todas.

*Victor, ou Sales, como era conhecido pelos amigos, era vice-presidente do Diretório Acadêmico de engenharia elétrica da UFPR, e participou do Senge Jovem desde julho de 2016, mas faleceu no dia 11 de março de 2017. Deixamos aqui nossa homenagem a ele.

Faxinal do Céu, 23 de julho de 2017

>> Confira aqui o álbum de fotos do encontro

>> Para ver o balanço da atividade: leia a matéria: II Encontro Estadual do Senge Jovem discute o papel da engenharia no contexto da crise brasileira

Carta Victor Romano “Salles” Pereira Lourenço*

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O Senge-PR protocolou, na manhã desta quinta-feira (27), a pauta de reivindicações dos copelianos para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) referente a 2017/2018.

Entre as reivindicações estão: reposição salarial do INPC acumulado no período entre 1º de outubro de 2016 a 30 de setembro de 2017, acrescido de 2%; defesa e aprimoramento da Fundação Copel; e valorização das carreiras profissionais, em especial a dos engenheiros.

>> Confira aqui a pauta na íntegra.

A pauta é resultado das Assembleias Gerais Extraordinárias realizadas no dia 17 de julho, em Maringá, Londrina, Cascavel e Curitiba.

Senge-PR protocola pauta dos engenheiros copelianos para ACT 2017/2018

A reunião de entrega da pauta contou com a presença do vice-presidente do Senge, engenheiro eletricista e copeliano, Leandro José Grassmann; do diretor financeiro do Senge, engenheiro civil e também copeliano, Cícero Martins Junior; do diretor de gestão empresarial da Copel, Gilberto Mendes Fernandes; da gerente assistente da diretoria, Ana Leticia Feller; do superintendente da Coordenação de RH, Cassio Vargas Pinto; e da gerente de departamento de Coordenação de Serviços do RH, Tássia da Silva Giasson.

Negociação

Diferente do ocorrido nos anos anteriores, a categoria deliberou por entregar a pauta em separado, com reivindicações específicas dos engenheiros. As negociações ocorrerão em conjunto com os demais sindicatos de funcionários da empresa.

Ao final do processo de negociação, a votação para a apreciação da proposta da Copel poderá ser feita em qualquer assembleia dos sindicatos que compõe os coletivos CSMEC e CSEC. Além disso, o Senge fará assembleias específicas para os engenheiros.

 

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A beleza da mata de araucária preservada em Faxinal do Céu permeou o II Encontro do Senge Jovem Paraná, realizado nos dia 22 e 23 de julho, naquela comunidade do município de Pinhão, região Centro-sul do estado. Foram cerca de 90 participantes, de 20 diferentes instituições de ensino, públicas e privadas, de Curitiba, Cascavel, Foz do Iguaçu, Londrina, Maringá e Ponta Grossa.

Há alguns quilômetros do local do evento está a Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz, localizada no rio Iguaçu, a 5 km da jusante da foz do rio Areia. Construída pela Copel nos anos 1970, é a maior usina da Copel, com capacidade de 1.676 MW de potência. A visita àquela grande obra de engenharia de quase 50 anos foi a primeira atividade da programação do encontro, na manhã de sábado.

Com tema “Engenharia para construir um novo Brasil”, o encontro contemplou um amplo debate sobre o papel da engenharia para a superação da crise, além de passar por reflexões acerca de ensino, pesquisa e extensão, precarização do mercado de trabalho para a categoria, atraso tecnológico em países periféricos, realidade das mulheres na engenharia, e os impactos das reformas para os jovens profissionais.

II Encontro Estadual do Senge Jovem discute o papel da engenharia no contexto da crise brasileira

Na abertura do período de palestras do encontro, o presidente do Senge, Carlos Bittencourt, enfatizou a intenção do sindicato ao investir na relação com os estudantes. “Queremos que vocês saibam que existe conheçam de perto o sindicato, para quebrar possíveis preconceitos que se formam pelo que é divulgado pela mídia comercial”.

A marca atualizada de associados ao Senge Jovem é de 2671 estudante, sendo 40,36% mulheres e 59,64% homens. “O Senge Jovem do Paraná serve do modelo para outros sindicatos de engenheiros e de outras categorias. Estar aqui em mais um grande encontro nos enche de orgulho e comprova que estamos no caminho certo, ao apostarmos no fortalecimento constante dessa iniciativa”, frisou Bittencourt.

Cícero Martins, diretor financeiro do Senge-PR, partir de uma retrospectiva histórica para chegar à análise da conjuntura atual do Brasil. Na avaliação do engenheiro Civil, apesar das contradições presentes nos governos Lula e Dilma, do Partido dos Trabalhadores, o Brasil viveu um período de forte desenvolvimento nacional, com a reconstrução de setores da indústria, elevação real do salário mínimos, com consequente elevação do salário dos engenheiros. “Porem, não se conseguiu avançar para promover reformas estruturantes, como do sistema político, tributária, urbana, agrária, das telecomunicações. Mesmo quando os governos Lula e Dilma tiveram índices de aprovação para fazer mudança mais profundas, não fizeram”, pondera.

Com o que classificou como “golpe parlamentar, jurídico e midiático” de 2016, que levou à saída da presidente Dilma Housseff e entrada de Michel Temer (PMDB), Martins chama a atenção para o desmantelamento da indústria nacional, sem que, de fato, se combata a corrupção.

“O vivemos agora são reformas conservadoras e antinacionais. É um Brasil de joelhos às portas da 4ª revolução industrial. Precisamos do resgate da democracia, novas eleições e um projeto popular e soberano para o país”, assegura.

Gabriela Caramuru, mestre em Direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e em Tecnologia pela Universidade Federal Tecnológica do Paraná (UTFPR), falou sobre a chaga do atraso tecnológico nos países periféricos. Segundo a pesquisadora, entre as marcas das economias dependentes, com a do Brasil, está a superexploração do trabalho, baixos salários, jornadas de trabalhos elevadas e maior intensificação do trabalho. Para um plateia de estudantes, apontou o estágio como uma das formas recorrentes de superexploração da mão de obra estudantil, em detrimento do profissional já formado.

Nestas circunstância de trabalho explorado e condições precárias de subsistência para a maior parte dos trabalhadores, ela reforça o peso da dívida pública brasileira no orçamento da União: cerca de 50% do PIB nacional vão para pagamento de serviços e juros da dívida. Com esta sangria nos cofres públicos, os investimentos no desenvolvimento e nos serviços à população ficam na metade do que poderiam significar.

De acordo com a pesquisadora, há um abismo de produção de conhecimento que seja autônomo e que consiga uma competição no mercado internacional. “E não existe qualquer cresça de que os países centrais queiram fazer superar essa dependência, pois é essa dependência que garante mercados”.

“Cerca 90% das pesquisas de desenvolvimento tecnológico do mundo são feitas por pesquisa pública, que podemos dizer que é furtado por empresas privadas”. Como exemplo disso, cita os casos em que empresas privadas se beneficiam da produção científica produzida por estudantes bolsistas, com professores e estrutura das universidades públicas. A lógica capitalista torna o avanço tecnológico não socializado e barrado pelas patentes. “Ou paga, ou não produz”, sintetiza. “As patentes atrasam por si só o conhecimento do mundo. Eu imagino uma política de fim das patentes mesmo dentro do capitalismo”, projeta.

A reflexão sobre dependência tecnológica permeou a palestra seguinte sobre pesquisa, ensino e extensão, ministrada pelo professor da UFPR José Ricardo Vargas de Faria, diretor do Senge-PR e doutor pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro – IPPUR/UFRJ. A partir de dados dos últimos anos, o professor aponta um crescimento maior dos cursos de engenharia, se comparado à média dos demais cursos. A área ocupa 18% dos cursos das instituições públicas. Uma realidade recente é o avanço da modalidade de ensino à distância: são 73 mil vagas no EAD, 10% do total do número de vagas presenciais, que são cerca de 600 mil.

A criação e interiorização de universidades federais durante dos governos PT, com incentivo à abertura de cursos de engenharia, contribuiu para este cenário. Uma norma do Ministério da Educação obrigou as instituições federais a terem no mínimo cinco cursos e, para a criação de novos, deveria ser cumprido o critério de serem da área de licenciatura ou engenharia.

Se o acesso à formação acadêmica em engenharia aumentou, a questão apresentada pelo professor é a qual finalidade a profissão tem servido. “Para quem e para que os cursos de engenharia estão formando? Se o engenheiro é um solucionador de problemas, a minha pergunta é: quem formula o problema? Quem diz o que é um problema. Isso não está na nossa formação. Nos dão um problema, nós temos que resolvê-lo”, problematiza.

Faria questiona a aplicação prática da estrutura curricular dos cursos, e percebe uma dificuldade de que os próprios engenheiros incidam sobre os rumos do uso da engenharia: “Os conteúdos políticos de aplicação da engenharia normalmente são definidos por instância à parte, por exemplo a economia, pelas empresas, pelo mercado de trabalho, governos. Ficam de fora os problemas relacionados ao desenvolvimento nacional e a superação das desigualdades”, questiona.

Mary Stela Bischof, engenheira agrônoma e diretora do Senge-PR, falou sobre os desafios das mulheres na engenharia e no sindicato. Formada pela UFPR nos anos 1980, conta ter vivido o período de efervescência de alternativas de agricultura. Entre as experiências, participou da criação do Grupo de Estudos da Agricultura Ecológica – GEAE. A agrônoma tem mais de 30 anos de carreira no Emater e é especialista em desenvolvimento Rural, Agricultura Biológico-Biodinâmica e Administração Pública. A militância pelos direitos da mulheres permeou sua trajetória profissional e atualmente é integrante do Coletivo de Mulheres da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Finsege), e mobiliza o coletivo das engenheiras do Senge-PR.

A agrônoma frisou o avanço da participação das engenheiras na nova diretoria do Sindicato: a atual gestão tem 29% mulheres, num total de 23 engenheiras na direção estadual. Das sete regionais do Senge-PR, duas têm presidência de mulheres – Ponta Grossa e Campo Mourão. O percentual ganha força quando comparado aos 12% de engenheiras associadas ao sindicato e aos 19% de mulheres engenheiras no Paraná.

“Também precisamos comemorar as duas mulheres que são vice-presidentes dos seus Senge, em outros estados brasileiros. Temos que valorizar essas conquistas”, no entanto, ela ressalta haver ainda situações em que as mulheres assumem cargos e não são reconhecidas e, muitas vezes, acabam se afastando do sindicato. Como proposta a todos os participantes, Mary Stela sugeriu que sempre haja o esforço de tentar perceber os motivos pelos quais as mulheres se afastam e se, por exemplo, existem um ambiente voltado somente ao acolhimentos dos homens.

A agrônoma chama a atenção para a sobrecarga que recai sobre as mulheres que assumem cargos de gestão e direção, por haver maior cobrança e exigência: “A melhor coisa que tem é fazer gestão compartilhada, partilhar as decisões, faz com que todas avancem junto e temos menos sobrecarga.

O impacto das reformas do governo Michel Temer na vida dos jovens esteve no centro da palestra ministrada por Ramon Bentivenha, especialista em Direito Constitucional, com ênfase no Serviço Público, integrante dos coletivos Direitos Pra Todxs e do Advogados pela Democracia.

Para o advogado, a reforma do ensino médio trará mudanças significativas no perfil do engenheiro do futuro, uma vez que a mudança da matriz curricular abstrai os conteúdos mais críticos. Bentivenha prevê profissionais com mais dificuldade de enfrentar as questão já apresentadas por outros palestrantes, acerca do papel da engenharia e sobre a necessidade de uma atuação preocupa em responder aos problemas estruturais do Brasil.

O cenário de crise econômica tem sido usado pelas campanhas publicitárias do governo como cortina de fumaça para o principal e menos controlado gasto do Estado brasileiro nas últimas décadas: a Dívida Pública.

Enquanto a Previdência significa gasto de 19,13%, saúde 3,16% e educação 3,26%, o ralo da Dívida sugará 50,66% do PIB em 2017, segundo previsão do Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (SIAFI).

“Isso não está sendo discutido pelo Congresso ou apresentado pelo governo. Basicamente o que se discute são os gastos sociais, mas fica de fora o maior gasto, que é com a Dívida Pública”, questiona Bentivenha. Justamente esta fatia do gasto público é a única que ficou de fora da PEC 55, do congelamento dos gastos públicos, aprovada em novembro de 2016 e que deve vigorar por 20 anos. O advogado reforma a necessidade da realização de uma auditoria da dívida. “Ninguém quer ser caloteiro, mas sim saber quanto é o justo a ser pago”, pondera.

A reforma trabalhista aprovada pelo Congresso em julho trará impactos diretos aos futuros engenheiros, pelo aumento da precarização das formas de contrato, piores salários, maior carga horário de trabalho, menor garantir de efetivação do piso da categoria. Conquistadas após intensas lutas anteriores, as previsões da CLT de 75 anos atrás hoje têm sido caracterizadas pelos defensores da reforma trabalhista e previdenciária como ultrapassadas. Ramon Bentivenha apresenta dados para refutar o rótulo dado à CLT: dos 821 artigos vigentes, 406 foram alterados ao longo dos anos – cerca de 49%. O maior número de alterações ocorreu em 1967, durante a ditadura militar, quando 180 quesitos mudaram. Mas, história da CLT, a reforma trabalhista recentemente é a maior já ocorrida.

Em síntese, o advogado classifica as reformas promovidas pelo governo Temer como uma “redução substancial do papel do Estado, com uma verdadeira de refundação do Estado brasileiro, que alteram profundamente a Constituição Federal”.

O relato do engenheiro civil Luiz Calhau, também diretor do Senge-PR, exemplificou o cenário apresentado pelo advogado Bentivenha. Mestrando da UFPR e com a atuação em planejamento de transporte urbano, Calhou falou da prática da “pejotização” na engenharia. “O patrão chegar e te da duas opções: ou eu assino a sua carteira de trabalho e te dar um salário menor, contratado como técnico, assistente ou analista. Ou eu te pago mais se você abrir uma empresa e você vai ser um prestador de serviço, um parceiro da empresa”.

Na prática, os custos com impostos e contador ficam a cargo do empregado. Além disso, o engenheiro vê neste tipo de contratação a aplicação do trabalho intermitente (agora aprovado na reforma trabalhista), que permite pagamento por hora, com jornada móvel e sem vínculo empregatício. Ao final do cumprimento de um trabalho, o contratante simplesmente dispensa o profissional, sem pagamento de rescisão.

Debates com grupos menos e sobre temas mais específicos foram realizados no momento das oficinas. Os assuntos abordados foram: agroecologia, orgânicos e agricultura familiar; oratória; comunicação; economia e engenharia; e política e formação sindical.

Ao final do encontro, os estudantes aprovaram uma nota em defesa da Universidade Federal da Integração Latino-americana (Unila), e a Carta Victor Romano “Salles” Pereira Lourenço, que presta uma homenagem ao jovem estudante de engenharia elétrica, vice-presidente do Diretório Acadêmico do curso e integrante do Senge Jovem desde julho de 2016, falecido no dia 11 de março de 2017.

Confira o documento da íntegra:

Carta Victor Romano “Salles” Pereira Lourenço*

Nos dias 22 e 23 de julho de 2017 foi realizado em Faxinal do Céu o II Encontro Estadual do Senge Jovem Paraná, onde foi debatido o papel da engenharia no processo de desenvolvimento do Brasil e da conjuntura política atual.

O objetivo desta carta é sintetizar o que foi discutido no encontro e elaborar um manifesto dos estudantes de engenharia do Paraná frente à situação da formação tecnológica e social dos jovens engenheiros, o retrocesso nos direitos trabalhistas e da previdência e a precarização do trabalho em geral promovida por um governo ilegítimo fruto de um golpe. O que reforça a necessidade de insistirmos no caminho democrático, para solucionar os problemas que hoje afligem a população brasileira.

Há um projeto de precarização da engenharia em curso, tanto pelas reformas quanto pela economia de mercado internacional, através do desmonte das empresas públicas e também do controle das políticas implementadas pelo governo federal por agentes financeiros externos, condicionando o Brasil a um papel subalterno dentro da geopolítica mundial.

Isso tem reflexos diretos no desenvolvimento da nação e da engenharia nacional, tanto no mercado de trabalho que se encontra precarizado quanto no ensino, pesquisa e extensão.

A organização dos jovens engenheiros se faz não somente urgente pela atual conjuntura, mas também necessária para a construção de uma resistência sólida aos ataques à engenharia e à soberania do povo brasileiro.

No que tange ao desmonte e precarização do ensino no país, deve-se defender a autonomia e diversidade da Universidade Federal de Integração Latino Americana-UNILA, um projeto concebido para a integração dos povos latino-americanos através do desenvolvimento humano, tecnológico, social e econômico, proporcionando elos de irmandade e cooperação entre as nações que a compõe. A UNILA tem hoje chances reais de ser desmembrada para a criação de uma universidade exclusivamente brasileira, em um ato político claramente xenófobo e de desintegração regional. Especificamente na área da engenharia, a UNILA contribui com o engrandecimento da função social da engenharia e oferecendo curso de alto nível. A UNILA resistirá com apoio do Senge Jovem em favor do marco na emancipação da integração latino-americana, historicamente sujeita aos interesses longínquos e de poucos, que apenas nos últimos anos passou revisto e que agora é novamente colocado em cheque.

No contexto estadual deve-se resistir aos ataques do governo do estado às universidades públicas do Paraná, como por exemplo a política de gestão de funcionários conhecida como meta 4, uma medida de arbitrária que visa cortar recursos do ensino superior público no estado. As universidades vêm sendo pressionadas a aderir a meta 4 sob ameaças de serem fechadas caso não venham a aderir as diretrizes de corte orçamentário impostas pelo governo Richa.

Deve-se consolidar o espaço do Senge Jovem dentro das universidades com ações afirmativas e com a disputa de espaços de representação. Formar e disputar a comunicação do Senge Jovem nas redes sociais e nas mídias convencionais, no intuito de capacitar os agentes regionais nas ferramentas de comunicação e otimizar o processo de publicação de ações promovidas pelo Senge Jovem.

A pauta das mulheres, negros e LGBTs nas engenharias e no mercado de trabalho, deve ser incluída nos trabalhos do Senge Jovem, no intuito de democratizar cada vez mais os espaços de discussão e de consolidar uma engenharia inclusiva e sem opressões e desigualdades de qualquer natureza.

Em síntese, firma-se essa carta, elaborada e aprovada pelos estudantes de engenharia do Paraná, pela valorização da engenharia nacional, em defesa da nossa soberania e pela quebra de paradigmas das engenharias, pautando uma engenharia democrática, empoderada e popular, na perspectiva de construção de um projeto nacional, que avance na consolidação de uma sociedade plural e para todos e todas.

*Victor, ou Sales, como era conhecido pelos amigos, era vice-presidente do Diretório Acadêmico de engenharia elétrica da UFPR, e participou do Senge Jovem desde julho de 2016, mas faleceu no dia 11 de março de 2017. Deixamos aqui nossa homenagem a ele.

Faxinal do Céu, 23 de julho de 2017

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Terça, 25 Julho 2017 10:13

Nota do Senge-PR em defesa da UNILA

O Sindicato dos Engenheiros do Paraná (SENGE-PR), por meio da Regional de Foz do Iguaçu, vem a público se somar às manifestações da sociedade iguaçuense, paranaense, nacional e latino-americana, em defesa da Universidade Nacional de Integração Latino Americana (UNILA), sob ameaça da espúria proposta de Emenda Aditiva à Medida Provisória 785.

A UNILA é um projeto concebido para a integração dos povos latino-americanos, através do Desenvolvimento Humano, Tecnológico, Científico, Social e Econômico, num ambiente fértil para cultivo do conhecimento, aproveitando a belíssima riqueza multicultural, proporcionando com esse intercâmbio, os elos de irmandade e cooperação entre as nações. Estabelece, respeitando a soberania dos povos, um novo marco na emancipação deste Continente, historicamente sujeito aos interesses longínquos e de poucos, desde 1492.

Nas questões locais, a UNILA localizada estrategicamente na região tri-nacional, dinamiza a economia e torna Foz do Iguaçu um polo referencial que atrai Professores, Mestres, Doutores, na produção do conhecimento, cujo valor é imensurável.

Especificamente na área de Engenharia, a UNILA contribui com o engrandecimento dessa função social, oferecendo cursos de alto nível, resultando na formação de acadêmicos que futuramente dignificarão a profissão. E ainda, entendemos que ao se tornar um projeto educacional de sucesso, com o mesmo esmero e dedicação, os profissionais formados nas áreas de Ciências Humanas e Biomédicas serão tão exitosos como na área de Ciências Exatas. A extinção desse ambiente merece nosso repúdio.

Portanto, nos colocamos ao lado de todos que se dedicaram e se dedicam à construção desse projeto fraterno e desenvolvimentista. E também manifestamos nossa total solidariedade aos empregados, alunos, professores, e a toda comunidade universitária, que saberá lutar e resistir, para manutenção desse espaço, que merece apoio ao invés de ataques vis como este colocado através da tal Emenda.

Pela Integração, Soberania e Irmandade dos povos latino-americanos;

Pelo Desenvolvimento da Ciência, da Tecnologia e do Conhecimento;

Pelo Desenvolvimento Local e Regional;

Pela UNILA!

Foz do Iguaçu, 20 de julho de 2017

Sindicato dos Engenheiros do Paraná (SENGE-PR) – Regional Foz do Iguaçu

Nota do Senge-PR em defesa da UNILA

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Ao longo desta semana, na quarta, quinta e sexta-feira, o Senge irá até as sete unidades da Sanepar recolher as procurações da ação pelo pagamento dos 13%, decorrentes da implantação do Plano de Cargo Carreira e Remuneração (PCCR) de 2012, do enquadramento decorrente do concurso de 2004 e do complemento salarial dos que ainda o recebem.

No dia e hora marcados, basta o engenheiro ir até a recepção da unidade da empresa e deixar a procuração com o funcionário do Senge, que estará no local.

Confira logo abaixo o cronograma com dia, horário e tempo de permanência do funcionário em cada unidade.

>> Clique aqui e baixe o modelo de procuração em PDF.

Cronograma

Quarta-feira, 19 de julho

- SEDE SANEPAR, Rua Engenheiro Rebouças 1376 | Horário: das 14h às 14h30

- USHG, Rua Francisco Nunes, 160 | Horário: das 14h45 às 15h15

- USMA, Rua Francisco Nunes, 2055, e demais unidades do mesmo endereço | Horário: das 15h45 às 16h15

Quinta-feira, 20 de julho

- TARUMÃ, Rua Engenheiro Antônio Batista Ribas, 151 | Horário: das 9h30 às 10h.

- USPD, Rua Marechal Deodoro, 3081, e demais unidades do mesmo endereço | Horário: das 10h20 às 10h50.

- URCTN, Jovino do Rosário, 194 | Horário: das 11h20 às 11h50.

Sexta-feira, 21 de julho

- URCTS, Rua Pedro Nogas, 25 | Horário: das 10h às 10h30.

- Lais Peretti, Avenida João Gualberto, 1259 | No caso destas unidades, os engenheiros deverão entregar para a diretora do Senge Angela Doubek, no 9º andar, até o dia 21 de julho, sexta-feira.

Senge-PR vai até unidades da Sanepar recolher procurações relacionadas à ação dos 13%

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Em assembleias realizadas na noite desta segunda-feira (26), o Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge-PR) aprovou adesão à greve geral marcada para esta sexta-feira, 30 de junho. As assembleias ocorreram em Curitiba e nas sete regionais – Maringá, Ponta Grossa, Cascavel, Foz do Iguaçu, Londrina, Campo Mourão e Sudoeste. O apoio à paralisação foi definido por 60 votos favoráveis, 12 contrários, e uma abstenção.

A greve deste dia 30 tem como pautas centrais o posicionamento contrário às reformas trabalhista e previdenciária, que tramitam de maneira acelerada no Congresso Federal. Propostas pelo executivo federal, as propostas desmontam as condições de trabalho e de aposentadoria dos trabalhadores.

Para além de todos os retrocessos imposto a todos os trabalhadores, os engenheiros ainda correm o risco de perder direitos históricos da categoria como aposentadoria especial e até mesmo o Salário Mínimo Profissional (SMP).

>> Veja a análise de especialistas sobre a reforma trabalhista e a reforma da previdência.

Para o presidente do Senge, Carlos Roberto Bittencourt, o esforço de unidade de várias centrais sindicais em âmbito nacional, e de sindicatos de diferentes categorias e entidades já tem gerado resultados, mas é preciso que a mobilizações crescem ainda mais. “Não há outra forma de barrar essa avalanche de retrocessos. Precisamos tomar as ruas, em unidade com as demais categorias de trabalhadores”.

Em breve divulgarem informações sobre as mobilizações marcada em Curitiba e em outras cidades do Paraná.

Senge-PR adere à greve geral de 30 de junho

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O acordo do Programa de Participação nos Lucros e Resultados 2017/18 pode ter mais dois indicadores. A proposta de alteração dos critérios de meta para o acordo foi apresentado pela empresa na reunião quadrimestral com o Senge e demais sindicatos, realizada nesta terça-feira (20) e quarta-feira (21).

Na reunião, o Senge foi representado pelo vice-presidente e engenheiro da Copel, Leandro Grassmann. Os pontos a serem incluídos como itens seis e sete dos critérios são os indicadores coletivos de continuidade DEC (Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora) e FEC (Frequência Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora), pelos quais a estatal é avaliado pela Aneel.

Copel propõe mudança dos critérios de metas do PLR 2017/18

A justificativa para a inclusão dos itens no PLR, segundo a Copel, se dá pelo acirramento da agência reguladora nas avaliações de tais indicadores para todas as empresas do setor, sob penalidade de perda da concessão.

Conforme aponta a ata da reunião das entidades com a Copel, os sindicatos questionaram a empresa sobre a inclusão dos indicadores na proposta. A Copel esclareceu que os indicadores DEC/FEC representam um dos maiores desafios da Copel Distribuição, e que podem levar à perda da concessão em caso de descumprimento.

Pelo histórico apresentado pela empresa nos últimos anos, os índices apresentados estão próximos aos limites traçados pela Aneel, chegando a ultrapassar a barreira indicada pela agência em alguns anos. Segundo dados da Aneel, em 2014 e 2015 o DEC apurado na Copel foi acima do estipulado em cerca de dois pontos.

Copel propõe mudança dos critérios de metas do PLR 2017/18

Com isso, de acordo com a empresa, é importante que todos os funcionários, além de trabalharem para o atingimento destas metas, monitorem e sintam-se responsáveis pela fiscalização e cumprimento dos indicadores. A estatal aponta ainda que “as multas são a soma de todas as compensações que foram pagas para os consumidores quando extrapolamos a meta de falta de energia, sendo que o DEC e FEC por si só não geram multas”.

Apos a argumentação e pressão das entidades, ficou definido que os novos indicadores terão peso reduzido neste primeiro ano, e pela proposta para o PLR de 2017/18 assumiriam participação de 5% ambos. No quadro final, os indicadores seguiriam os seguintes pesos: ISQP-Estar entre classificadas 20%; Rentabilidade do Patrimônio Líquido PLR 15%; MPSO/ROL 15%; Disponibilidade do Parque Gerador 20%; SCM4 Garantia de velocidade instantânea 20%; DEC 5% e FEC 5%.

A proposta com as alterações dos indicadores e demais questões será enviada para avaliação do Conselho de Controle das Empresas Estaduais (CCEE) e posteriormente posto à votação dos trabalhadores da estatal. Clique aqui e baixe a íntegra da ata da reunião desta quarta-feira (21), em que foram debatidas questões sobre política e pesquisa salarial, sistema otimizador, sobreaviso e reflexo DSR e Fundação Copel. Aqui, você tem acesso à íntegra da ata da reunião de terça-feira (20), em que foram debatidas as questões do PLR.

 

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