Depois de passar pelo Rio de Janeiro, Bahia e Minas Gerais, o projeto SOS Brasil Soberano chega ao Paraná, no 14 de julho. A 4ª edição do Simpósio será em Curitiba e terá como tema “Brasil, 2035, uma Nação Forte, Democrática e Soberana!”.

O evento é voltado para engenheiros e engenheiras, estudantes, integrantes de movimentos sociais e de sindicatos de outras categorias de trabalhadores, e de entidades em geral que tenham interesse em debater e construir alternativas soberanas para o Brasil, diante do contexto de políticas neoliberais impostas pelo executivo e por parte do legislativo federal.

A ação é iniciativa do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ) e a Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), e na capital paranaense é realizada também pelo Senge-PR.

“Para termos um país soberano, precisamos ter setores estratégicos como as empresas públicas na mão do estado. Atualmente há a entrega do Pré-Sal, a venda de ativos que são patrimônio da Petrobras, principalmente para empresas estrangeiras e norte americanas”, aponta Carlos Bittencourt, presidente do Senge-PR.

Profissionais de diferentes áreas de atividade, acadêmicos, formadores de opinião, parlamentares e representantes da sociedade civil, participam dos debates para a construção de uma agenda de programas e projetos para o país, em direção contrária ao programa neoliberal imposto pelo governo Michel Temer.

“Precisamos ter essa discussão dentro da engenharia, dos sindicatos, dos movimentos sociais, para que possamos barrar esse movimento conservador que vem do executivo e do legislativo federal. É preciso mobilização de todos esse setores para garantir a soberania do nosso país”.

O simpósio será no auditório da Universidade Positivo, na Praça Galeria Osório, 125, das 9h às 18h. A programação completa será disponibilizada em breve.

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Para participar, preencha o formulário de inscrição disponível aqui. Haverá emissão de certificado pelo Senge-PR, com carga horária de 8. O evento é gratuito e também será transmitido via internet.

 >> Agende-se!

4º Simpósio SOS Brasil Soberano: “Brasil, 2035, uma Nação Forte, Democrática e Soberana!”
Data e horário: 14 de julho, sexta-feira, das 9h às 18h.
Local: Universidade Positivo, na Praça Galeria Osório, 125.

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“Resistir é fundamental, necessidade imediata. Mas temos que discutir novas alternativas que levem em conta essa realidade imposta”, alertou a deputada federal Jô Moraes, no III Simpósio SOS Brasil Soberano, no dia 8/6, em Belo Horizonte. A deputada chamou atenção para a necessidade de, além de resistir e negar, discutir alternativas à política previdenciária diante dos novos dados demográficos, sem esquecer, ressalta, a permanência da inclusão como forma de proteção social.

A deputada defende que os benefícios previdenciários são ferramentas de construção da cidadania, e é fundamental uma readequação, diante do novo momento, com aumento significativo da expectativa de vida do brasileiro. “Viver mais é uma conquista. Não é ônus. Significa o desenvolvimento tecnológico, mudança de hábitos, melhoria de qualidade de vida. Foram grandes conquistas do cuidado com a vida e de novas políticas”.

Para Jô Moraes, o debate em torno da reforma da Previdência Social é a principal arma para derrotar Temer e retomar a democracia, uma vez que é ele que tem mobilizado todas as classes sociais. “Para dialogar com o povo e mobilizar a rua, a reforma da previdência tem tocado e mobilizado mais”. Ela enfatiza a necessidade de ir às ruas, como forma de barrar a reforma e fortalecer a luta pela democracia.

“Toda vez que os setores progressistas chegam ao poder, as elites com apoio externo e internacional tentam golpear”, a deputada destaca que existiram vários erros nos últimos governos, mas defende que não foram esses erros responsáveis pela atual situação vivenciada. “Não foi pelos nossos erros, foram pelas conquistas democráticas e sociais. Com apoio do capital financeiro estrangeiro, esse golpe foi dado contra os gastos sociais. Uma ruptura democrática a partir do consórcio jurídico midiático”, afirma Jô Moraes.

Diretas Já

“Nós temos que apontar para sociedade uma perspectiva política para além e mostrar para o povo que o caminho é o seu voto. Precisamos valorizar a soberania do voto popular”.

Fonte: Marine Moraes (Senge-PE)

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O III Simpósio SOS Brasil Soberano, realizado na quinta-feira (8), em Belo Horizonte (MG), teve entre os palestrantes Clélio Campolina Diniz, engenheiro mecânico e de operação, ex-reitor da UFMG e Ministro de Ciência e Tecnologia e Inovação em 2014, durante o governo da presidenta Dilma Rousseff (PT). Na avaliação de Diniz, diante o cenário de crise mundial, “o capitalismo formal fracassou e o futuro está politicamente indeterminado”.

“No meu entendimento o capitalismo é um produto histórico, e tudo que é produto histórico tem um fim histórico. A grande pergunta é quando ele será destruído, em quanto tempo e o que virá no lugar. Eu acho que isso é uma tarefa nossa. Nós temos que encontrar a saída”, provoca.

Segundo o ex-ministro, a crise estrutural internacional contemporânea é profunda e diferente das anteriores, pelas seguintes características: o desemprego é estrutural; há uma proliferação de armas e guerras – e as guerras nunca ocorrem nos territórios das potências dominantes, que sempre estão no ataque; a imigração ocorre em massa, mostrando o colapso das antigas colônias; há um avanço do fundamentalismo religioso, com novas formas de conflito; a corrupção é generalizada; a concentração de renda cresce e se converte em um problema até para o capitalismo, que precisa de mercado; os problemas climático e ambientais se aprofundam; e a insegurança digital avança, a exemplo do que aconteceu nas eleições americanas e a desconfiança de que houve interferência da russa.

“Os paradigmas de sociedade que estão aí estão superados. A história não anda para trás”, completou.

Geopolítica mundial

Em sua explanação, Diniz apresentou dados e análises sobre o cenário mundial de crise política e econômica, e da fragilização do modelo capitalista. O engenheiro mostrou mapas mundiais com a comparação do tamanho dos territórios, dos PIBs e da população. A desproporção das imagens demonstra a centralidade destes três fatores para a análise global. Quando o fator em jogo é o PIB, o mapa da escala geográfica, conhecidos nos mapas tradicionais, incha da metade norte e encolhe no sul do globo. Já com quando o recorte é o tamanho da população, a Ásia se destaca. “São variáveis importante para discutir uma geopolítica do mundo”.

Europa Ocidental, Japão e EUA concentram 78% do PIB mundial e 64% das exportações, enquanto ocupam apenas 13% da área global e têm 12% da população.

Diniz chama atenção para o crescimento da China no que diz respeito ao PIB e às exportações. Com relação ao PIB, a potência saiu de 1,6% em 2000 para 9,8% do ranking global em 2014. O Brasil, no mesmo período, passou de 0,8% para 2,1%. Nas exportações, os chineses comprovam a intencionalidade dos investimentos na indústria: em 2000, o índice era de 0,6%, e 14 anos depois chega a 33,5%. No Brasil, o crescimento foi de 0,1% em 2000 para 1,1% em 2014.

No ranking de exportação de manufaturas, a China passa da 6ª posição em 2000, com 4,7%, para a 1ª posição, com 18,8%, em 2015. O mesmo se repete com a produção de manufaturas, em que o país ocupa o topo da lista, com 19,8%.

No Brasil, os setores mais sofisticados tecnologicamente são os que mais estão perdendo com a crise, de acordo com o Diniz. “Voltamos a ser um exportador de produtos primários”, lamenta. Segundo ele, neste período ficam evidentes as marcas escravidão, de um campo com concentração fundiária e com agricultor sem-terra, e de um Estado patrimonialista e cartorial.

A ciência e a tecnologia, na avaliação do ex-ministro, não servem para o bem da vida, e sim tem sido, ao longo da história do capitalismo, armas de competição. “Se nós vamos ser capazes de dominá-la, eu não sei”.

Saídas

Como bases para uma mudança de paradigmas da organização do Estado, Diz aponta a necessidade de garantir bem estar material, justiça social, sustentabilidade ambiental e soberania dos povos. Mas alerta para a necessidade de um planejamento estrutural e intecionalizado, que leve em conta a complexidade da sociedade brasileira, e que seja aplicado com um processo em constante avaliação e adaptação.

Entre as mudanças estruturais mais urgentes, aponta a reforma do Estado por meio de uma Constituinte, feita com participação popular. A reforma tributária deve passar a onerar mais as faixa da população com maiores rendimentos, e não o contrário, como ocorre no sistema atual.

Educação básica integral e de qualidade é outra proposta de Diniz, para o avanço em “igualdade de condições”. Na avaliação dele, manter a qualidade da educação precária é parte de uma estratégia de submissão. “O dia que você resolver a educação básica, você deixa de ter serviçais”.

O problema habitacional e de mobilidade urbana também precisa ser enfrentado. De acordo com pesquisas feitas a partir da renda de capitais brasileiras, o pesquisador constata uma profunda desigualdade: o rendimento médio da população do centro é 20 vezes maior do que a da periferia. A disparidade se repete quanto o índice medido é o de educação.

Diniz sugere uma reorganização territorial do país, com a criação de “policentros urbanos” nas regiões ainda não urbanizadas. Hoje com a densidade demográfica urbana está concentrado na faixa litorânea. E cobra o desenvolvimento de infraestruturas a partir do interesse público: “A infraestrutura não pode ser feita pela lógica do mercado, tem que ser para o bem da sociedade”. Para a reforma estrutural do Estado, aponta a convocação de uma Constituinte como essencial.

Diante do cenário de crise e da necessidade de construção de novas alternativas para a democracia brasileira, Diniz cobra uma autoavaliação sincera por parte das forças progressistas: “A gente tem que fazer autocrítica também, se não nós não vamos construir soluções. É desagradável, mas nós temos que fazer”.

“Nós temos que ser dialéticos na análise e cartesianos na ação. Nós temos que discutir os problemas, identifica-los, mas nós temos que politiza-los e partir imediatamente para a busca de caminhos de ação. Ou ficamos no nível do discurso, sem conseguir concretizar”, conclui.

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Por Ednubia Ghisi, do Senge-PR / Foto: Alessandro Carvalho

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O projeto das forças que afastaram a presidenta Dilma Rousseff não é apenas um ataque do capital sobre os direitos do trabalho e das camadas populares, mas uma ação comandada por um tipo específico de capital – o financeiro –, que precisa reordenar as estruturas produtivas do país, entre elas as da indústria e dos direitos trabalhistas, de acordo com os seus interesses. Nesse cenário, os Estados nacionais perdem importância e passam a ser controlados por grupos estrangeiros que visam maximizar o lucro, no menor tempo possível. O alerta foi feito pelo sociólogo Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), e também por João Pedro Stédile, liderança nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), durante o III Simpósio SOS Brasil Soberano, realizado no dia 8 de junho em Belo Horizonte (MG).

“Não há mais soberania no país”, afirmou Clemente Ganz. “Estamos vivendo uma etapa acelerada, vertiginosa, de desmobilização das instituições que sustentaram o desenvolvimento nacional. Nesse ritmo, teremos nos próximos meses um país com estruturas produtivas e recursos naturais sob controle do capital internacional.”

Na opinião de Stédile, o Estado clássico, gestado no século 18 pela burguesia industrial com o propósito de organizar as relações sociais de produção, estabilizar e garantir legitimidade para que a acumulação de capital acontecesse sem guerra civil, esse Estado a que estamos acostumados, chegou ao fim. “Acabou, porque quem domina as sociedades é o capital financeiro, que acumula sem necessidade do Estado”, diz. Nesse contexto, o Estado tem como único papel transferir a mais valia social para o capital financeiro e, para isso, “basta contar com um gestor financeiro, como são o Meirelles [Henrique Meirelles, ministro da Fazenda] ou o Goldfajn [Ilan Goldfajn, presidente do Banco Central]”.

Há uma mudança importante na estratégia econômica do capitalismo, explica o diretor do Dieese. Os Estados nacionais tinham grandes empresas que operavam em diferentes lugares do planeta; agora, são as empresas multinacionais que controlam o Estado para atuar segundo seus objetivos. “Este capitalismo passa a ser articulado, organizado e mobilizado pelo capital financeiro, que trabalha buscando maior lucro no menor tempo, com uma taxa de retorno estupidamente alta.”

Por exemplo, ele cita o caso da interferência do governo de Beto Richa (PSDB-PR) na gestão da Companhia Paranaense de Energia (Copel). Em maio, o diretor de Finanças e Relações com Investidores, Luiz Eduardo Sebastiani, foi afastado após se opor à proposta do governo do Estado, maior acionista da empresa, de dobrar – de 25% para 50% – a parcela dos lucros de 2016 a ser distribuída aos sócios como dividendos. A diretoria da Copel defendia a distribuição de 25% dos lucros, reservando os 75% restantes para reinvestimentos e redução dos riscos de endividamento, decisão revertida pelo Executivo, em uma nova Assembleia Geral.

“Com essa lógica [de priorizar a apropriação do lucro], não há desenvolvimento”, diz Clemente Ganz. “Desaparece a ideia de organizar a base produtiva com um arranjo institucional e um determinado Estado indutor, porque a lógica do capital é comandada pelos gestores dos fundos de investimentos.” Ou seja, energia, terra, minério, água, tudo passa a ser considerado sob o ponto de vista desses investidores. Até o espaço aéreo, observa o diretor do Dieese, em referência ao Projeto de Lei 7425/17, que tramita na Câmara, aguardando deliberação em Plenário, para permitir que empresas estrangeiras detenham o controle de companhias aéreas no país. Atualmente, o Código Brasileiro de Aeronáutica (Lei 7.565/86) limita a 20% a participação do capital externo em empresa aérea nacional.

Com o estouro da bolha em 2008 e a difusão da crise pelos continentes, as grandes corporações passaram a mirar as economias periféricas, como as do Brasil, e governos subalternos, diz Stédile. “Elas impõem aos países condições ainda mais draconianas, tanto para exploração do trabalho, quanto das riquezas naturais, aumentando a pressão sobre a periferia, com uma sanha incontrolável para se apropriar de bens como energia elétrica, minério, petróleo, as terras e a sua biodiversidade.” No Brasil, esse processo teria começado com as mudanças pela exploração do petróleo na camada pré-sal: “o Aloysio Nunes [do PSDB-SP, atual ministro das Relações Exteriores] correu aos EUA no dia seguinte do golpe”, lembra.

Reforma trabalhista
“O que há é um processo de desmonte dessa estrutura institucional construída ao longo de 50, 60 anos, e que deram ao Estado brasileiro, por meio das empresas públicas, bancos, da Petrobras, uma possibilidade de orientar o desenvolvimento”, avalia o diretor técnico do Dieese. Para essa transformação do Brasil em plataforma de exploração, Clemente Ganz avalia que a realização das reformas seja imprescindível – a da Previdência, de modo acessório, e a trabalhista, essencial ao projeto em curso.

“A reforma trabalhista altera 300 aspectos da CLT, a maior reforma desde que a lei foi criada”, diz o sociólogo, que acusa 80% dos integrantes do Congresso, que vão votá-la, de não a terem lido. “Em três semanas, votaram nas comissões um projeto que altera quase cem anos de história.”

Em síntese, ele explica que o projeto do governo implode o movimento sindical, ao retirar dos sindicatos o poder de conduzir as negociações entre patrões e empregados, que poderão ser feitas individualmentes. Também cria uma comissão com força para quitar acordos; institui diferentes tipos de contrato de trabalho, permite ao indivíduo quitar débitos trabalhistas; e reduz de cinco anos para 12 meses o prazo para recursos na Justiça em ações trabalhistas.

A Justiça deixa de ser gratuita: se o o trabalhador atrasar na primeira audiência, terá que pagar metade das despesas da ação; se não o fizer, não poderá mais voltar a recorrer à Justiça do Trabalho. “E é bom lembrar: cerca de 25% dos trabalhadores não encontram a sala da audiência e perdem a causa”, estima Clemente Ganz. “Sem que se perceba nenhuma perda imediata, o Brasil terá legalizado um ajuste no custo do trabalho. E as empresas terão a garantia de que não acumularam passivo trabalhista.”

Na prática, dentre as empresas que estão sendo compradas pelo capital internacional, uma parte é fechada e os produtos que elas forneciam passam a ser importados, como o diretor do Dieese diz que já acontece, por exemplo, em Caixas do Sul (RS). A outra parcela sofre adequações de médio e longo prazo, como no caso do setor da soja, para que a aquisição de máquinas, peças, equipamentos, desloque-se para o exterior. Dos cerca de 18 mil fornecedores que integravam a cadeia de exploração e produção de petróleo e gás da Petrobras, 6 mil já foram demobilizados, segundo Clemente Ganz. E 30 mil postos de trabalho de engenheiros foram fechados e não serão repostos.

Propostas
Para superar a crise e retomar o desenvolvimento em um modelo que assegure direitos aos trabalhadores e soberania sobre as riquezas nacionais, ele aponta algumas frentes, entre elas, em especial, a reorganização da base urbana do país. “O espaço urbano é uma oportunidade importante de desenvolvimento industrial. Se agregarmos também o espaço rural, os transportes, de forma compatível com ações sustentáveis do ponto de vista do clima e ambientais, teremos um projeto de desenvolvimento nacional.” Mas o sociólogo do Dieese ressalta que essas questões precisam ser induzidas e coordenadas pelo Estado. O capital atraído pelo projeto do atual governo, ressalta, não vai abordar os problemas do país com essa lógica, porque seu compromisso é apenas a buscar o máximo de lucro financeiro.

Na última reunião do Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, em janeiro deste ano, Stédile lembra que o economista Joseph Stiglitz, ganhador de um prêmio Nobel, declarou que a única maneira de sair da crise seria “estatizar os bancos”. Ou seja, “recuperar o capital acumulado, que atualmente só gira em de si próprio pela especulação, e reinvestí-lo na indústria, na construção e em outras soluções concretas”.

Outra proposta envolve a chamada quarta Revolução Industrial (ou indústria 4.0), resultado da convergência das tecnologias da informação e das telecomunicações, com alto nível de automação, observa o líder do MST. “Os ideólogos dessa forma de produção, contudo, já avisaram aos empresários que ela é viável do ponto de vista do capital mas vai jogar 70 milhões de operações industriais nas calçadas. Estão dispostos? Estão pensando até agora.”

Por: Verônica Couto/ SOS Brasil Soberano

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O III Simpósio SOS Brasil Soberano, que discutiu os impactos de reformas estruturais no país – as regressivas e as progressistas –, em Belo Horizonte (MG), registrou um “alcance” de cerca de 200 mil pessoas e 64.869 “visualizações” de pessoas que acompanharam na íntegra ou parcialmente as transmissões do evento ao vivo, pelas redes sociais (Tijolaço, Mídia Ninja, SOS Brasil Soberano). Realizado no último dia 8 de junho, no auditório do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), o encontro integra o movimento SOS Brasil Soberano, série de simpósios que vem pecorrendo várias capitais para debater um projeto nacional que vença a crise e abra novas perspectivas de desenvolvimento econômico e social. As propostas consolidadas nos encontros se articulam diretamente com o Plano Popular de Emergência, elaborado pela Frente Brasil Popular, com dez medidas fundamentais para a reconstrução do país, a ser lançado no Rio nesta segunda-feira (12).

“Estamos vivendo uma fase do Brasil sem precedente na história; as instituições estão derretendo”, alertou na abertura do evento o presidente da Federação Interestadual dos Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), Clovis Nascimento, para quem “o que está em jogo é a luta de classes”, uma tentativa de retroceder o país à década de 30. “A população, a periferia, tem 14 milhões de desempregados pensando no que vai comer amanhã. Mas não se iludam: essa população vai para a rua, não vai aceitar as coisas de forma passiva. E as ruas sempre foram nossas – vamos ao bom combate”.

Para o presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ), Olímpio dos Santos, as propostas dos grupos que articularam o golpe dissolvem a ideia de nação. “Como um povo sem direitos pode ser uma nação?”, questionou. “Nossa tarefa é participar e ajudar na discussão da organização política e social das pessoas, para ter um programa e levá-lo adiante, sem ilusões de conciliação. A nossa oligarquia não tem o menor interesse no povo. Essa travessia não é tranquila nem fácil. Teremos que construí-la com muita vontade, muito empenho e muita dor também.”

O SOS Brasil Soberano é uma iniciativa do Senge-RJ, ao lado da Fisenge. Em Belo Horizonte, o III Simpósio contou com patrocínio do Senge-MG. O I Simpósio SOS Brasil Soberano foi realizado no Rio de Janeiro, no dia 31 de março; o II, em Salvador, no dia 27 de abril, com o Senge-BA e outros apoiadores. A quarta edição está marcada para Curitiba, no dia 14 de julho.

Fonte: SOS Brasil Soberano

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Para o cientista político e advogado constitucionalista Jorge Folena, a intenção do ministro da Defesa, Raul Jungmann, de alugar aos EUA a base de lançamento de foguetes de Alcântara, no Maranhão, é um “exemplo da subalternidade colonial” do projeto para o país do atual governo. “Tal informação deveria causar perplexidade nas autoridades civis e militares, porque constitui um atentado à soberania nacional”, afirmou na quinta-feira (8), em Belo Horizonte, durante o III Simpósio SOS Brasil Soberano. “A soberania nacional não se empresta, não se aluga, não se vende.” Para interromper o programa de subordinação em curso, ele defende eleições diretas e a convocação de Assembleia Nacional Constituinte, precedida de um pacto de forças políticas representativas, que assegurem a vontade popular expressa nas ruas.

“O governo Temer perdeu sua credibilidade e não tem condição de garantir sua continuidade”, diz Folena, que também é favorável à criação de um tribunal constitucional para julgar delitos praticados por “membros da velha Nova República, que participaram em desmandos e atos de corrupção, ou que atentaram contra os interesses do povo brasileiro”. Um mecanismo de responsabilização jurídica, Sem a seletividade partidária dos processos judiciais recentes, que, na opinião do especialista, capturaram a política nacional.

Se efetivada, a abertura da base de Alcântara a interesses estrangeiros pode ser considerada crime de responsabilidade do governo federal e violação da segurança nacional, avalia Folena. “Este delito está tipificado: ‘tentar submeter o território ou parte dele ao domínio de outra nação’. Mais grave ainda em se tratando dos EUA, que têm por prática a intervenção e a ingerência em outras nações.”

TSE e a partidarização da Justiça
Durante o simpósio, o advogado também manifestou “preocupação” com o julgamento da chapa Dilma-Temer, iniciado na quarta-feira (8), no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo Folena, o ministro Gilmar Mendes conduziu o julgamento de forma parcial, de modo a inocentar Michel Temer.

Folena observa que Gilmar Mendes falar em financiamento de campanha é ainda “mais vergonhoso”, porque o ministro “pediu vista” no julgamento do financiamento privado de campanha que estava sendo feito no STF e, em 2014, todos os partidos recorreram às empresas, o que permitiu o sequestro da política pelo interesse econômico. “A sociedade constrói sua história, mas o que me causa perplexidade é como estamos pobres; lamentável que a sociedade entregue seu destino nas mãos dos Tribunais.”

O III Simpósio SOS Brasil Soberano é uma realização do Sindicato dos Engenheiros no Estado de Minas Gerais (Senge-MG), do Rio de Janeiro (Senge-RJ), e da Federação Interestadual dos Sindicatos de Engenheiros (Fisenge).

Fonte: Verônica Couto / SOS Brasil Soberano

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Aumentar a participação dos engennheiros na política. Este foi o foco da fala do deputado federal (PDT-AL) e engenheiro civil, Ronaldo Lessa, durante sua participação no III Simpósio SOS Brasil Soberano no dia 08 de junho, em Belo Horizonte. Lessa, que já foi vice-presidente do SENGE-RJ, defendeu a necessidade de acabar com o mito de que o profissional de áreas técnicas, como a engenharia, é "frio" e que não seria um bom executivo. Atualmente, ele é presidente da Frente de Engenharia e Desenvolvimento Nacional.

Foto: Alessandro de Carvalho

 Luta nas ruas

"A Câmara tem medo de colocar a Reforma da Previdência em votação por medo da pressão das ruas. A movimentação externa é fundamental, a mobilização da população, para barrar os retrocessos."

Criminalização da política

"O que está subliminarmente é que a democracia não funciona. Qualquer política está descartado. Assim, passa a ideia de que pode colocar militar no poder de novo, ou colocar juíz do STF. Defendo que o protagonismo deve ser político."

 Eleições gerais

"Temer está acabando com o país. Pedimos eleições diretas porque defendemos que o Congresso atual não é capaz de eleger o novo presidente. Mas se o Congresso não tem moral para eleger o presidente, então faz logo eleições gerais. Vamos eleger todo mundo novamente."

 Projeto de nação

"Qual o projeto de nação que a gente tem? A nossa sorte, como disse o Stédile (João Pedro Stédile, do MST), é que a burguesia não tem projeto de país. Mas a gente precisa construir nosso projeto. Não podemos ficar de braços cruzados esperando."

 

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A busca de uma identidade nacional, como principal caminho para o alcance da soberania, foi a proposta levantada pelo jornalista Fernando Brito, no III SOS Brasil Soberano, que acontece, neste dia 8/6, em Belo Horizonte. Segundo o jornalista, não é possível enfrentar a crise sem a ideia de nacionalismo e sem um projeto de nação.

Para o jornalista, a falta de compreensão do grande capital das riquezas do país é uma grande dificuldade para alcançar esta identidade única. “O brasileiro não consegue entender que temos uma população e um território, que nos equiparam ao restante do mundo. Vamos deixar isso parado? Vamos cultuar a ideia de que o progresso é apenas institucional?”, questionou. “A gente sempre teve preços ridículos em relação à produção agrícola, o que obriga a retirada em grande quantidade. Ocorre a extração mineral e de produtos agrícolas, sem a devida valorização. O que acaba sendo uma situação desastrosa. Nunca enxergamos uma forma de alavancar e valorizar”.

Como caminho para o alcance da construção de uma identidade nacional, Fernando Brito aponta para a disputa de ideias. De acordo com ele, o povo brasileiro precisa compreender que esse não é um país de todos e que a miséria é extremamente importante para a classe econômica dominante.

Para o jornalista, o Brasil alcançou um patamar diferenciado de desenvolvimento, a partir de 2002, ao promover a inclusão social. “Nós não estamos propondo nada que não seja comprovável. Basta olhar para 4 ou 5 anos atrás. Você é testemunha de que o país é capaz de funcionar e é capaz de se desenvolver”, finalizou.

Por Marine Moraes / Senge PE

Foto: Alessandro Carvalho

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O presidente do Senge-RJ, Olímpio Alves dos Santos, apresentou o projeto SOS Brasil Soberano durante a realização do III simpósio, na manhã desta quinta-feira (08/6), em Belo Horizonte (MG).

Olímpio destacou que o projeto tem como objetivo formular alternativas para o momento em que o Brasil vive. A primeira contribuição foi o Programa de Emergência, elaborado com os resultados da discussão do I Simpósio, no Rio de Janeiro, e ao lado da Frente Brasil Popular. O vídeo está disponível na página do SOS Brasil Soberano no Facebook.

“Nós temos que discutir reformas e não contrarreformas, como está sendo feito nesse momento. Essas propostas do governo golpista dissolvem a ideia de nação. Não podemos ter um povo sem direitos. Como um povo sem direitos pode ter ideia de nação?”, criticou Olímpio.

Para ele, o povo é fundamental nesse processo.

“Nossa tarefa é participar e ajudar na discussão da organização política e social do nosso povo para ter o programa e levar o programa adiante, sem ilusões de conciliação. A nossa oligarquia não tem o menor interesse no povo”, afirmou. “Essa travessia não é tranquila e fácil. Teremos que construí-la com muita vontade, muito empenho e muita dor também.”

O SOS Brasil Soberano é uma iniciativa do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (SENGE-RJ), ao lado da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge). Esse é o terceiro simpósio do projeto. O primeiro foi realizado no Rio de Janeiro, no dia 31 de março. O segundo, em Salvador, no dia 27 de abril. A quarta edição está marcada para Curitiba, ainda sem data definida. O SENGE-RJ é uma das entidades integrantes da Frente Brasil Popular, organização social que tem como objetivo defender os direitos dos trabalhadores, ampliar a democracia e a participação popular, promover reformas estruturais para um projeto nacional de desenvolvimento democrático e popular, e defender a soberania nacional.

Redação: Marcelle Pacheco (Senge-RJ)

Foto: Alessandro Carvalho

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O coordenador nacional do Movimento dos Sem-Terra, João Pedro Stédile, acredita que o modelo de Estado está em crise e precisa ser radicalmente reformulado. Esta foi a questão central da fala de Stédile durante o III Simpósio SOS Brasil Soberano, realizado no dia 8/6, em Belo Horizonte. Segundo João Pedro Stédile, o modelo gestado para fazer a burguesia industrial enriquecer acabou. "Quem domina hoje é o mercado financeiro, que acumula sem o Estado e sem a necessidade da estabilidade do trabalho. Eles não precisam mais de regras, porque o capital financeiro acumula e basta garantir um bom gestor. ", explicou.

Ainda de acordo com Stédile, o capitalismo sempre que entra em crise promove a destruição do capital acumulado (trabalho humano e bens materiais), para que, com a destruição, seja aberto um novo ciclo de acumulação. "Quando há crise do capital, as grandes empresas vão para os países periféricos e nos impõem condições cada vez mais draconianas. É a guerra que destrói. Bush tentou fazer isso apelando para a guerra quando eclodiu a crise internacional. Fizeram dos povos do Oriente as vítimas. Acabaram com a Líbia, Afeganistão e agora com a Síria. A guerra não resolveu o problema da crise do capitalismo e hoje não estão sabendo, do ponto de vista de acumulação, sair da crise", contou.

Stédile citou a teórica Rosa Luxemburgo: "Rosa avisou que para os capitalistas, a forma de obtenção mais rápida das maiores taxas de lucro extraordinário é a apropriação de forma privada dos bens da natureza. Não há fábrica no mundo que dê mais lucro do que apropriação da naturea. Começaram com pré-sal e querem privatizar as terras brasileiras", alertou. De acordo com Stédile, a forma de Estado está em crise que não será resolvida hoje, nem amanhã e nem com eleição de Lula, porque crise tem raízes na natureza da origem do Estado burguês.

Por isso, Stédile acredita que o caminho é a realização de uma assembleia constituinte popular para reformular a forma do Estado funcionar. "Apresentamos um plano popular de emergência por meio da articulação entre as Frentes Brasil Popular Povo Sem Medo, centrais sindicais, movimentos religiosos, correntes do PMDB, entre outros setores. Temos que discutir um projeto de país, a partir de nova articulação das classes sociais e pensar uma nova economia baseada necessariamente na indústria e agricultura. O Estado tem que ser reformado e defendemos uma Assembleia Constituinte Exclusiva e Popular para reformar o Estado", defende Stédile.

Redação: Marcelle Pacheco (Senge-RJ)
Edição: Camila Marins (Fisenge)

Foto: Alessandro Carvalho

A Revolução Russa de 1917, que completa 100 anos em 2017, foi lembrada como uma situação em que o povo foi capaz de lutar contra um Estado que não a representava.

 Diretas Já

“Estamos repetindo o grande arco de aliança de 1984, que conquistou a democracia nas ruas. Agora a tarefa é dialogar com outras forças para ampliar a rede. Vamos realizar uma sequência de atos públicos no maior número possível de cidades. Na Frente Ampla Nacional pelas Diretas Já fazem parte todos os partidos de oposição, alguns deles que saíram da base golpista, e algumas correntes do próprio PMDB, que apoiaram os golpistas, todas as centrais sindicais, todas as denominações religiosas, todas as grandes entidades nacionais e a Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo.”

 Periferia do mundo

“A crise econômica instalada no Brasil e no planeta tem suas raízes no modo capitalista de funcionar. Essa crise apareceu por volta de 2008 e depois, como tsunami, foi se espalhando. Nós, que estamos na periferia no sistema capitalista, sofremos um impacto maior. Apesar dos avanços sociais, a economia brasileira nunca deixou de ser dependente. E quem manda é o capital financeiro. Essas empresas vão para periferias do mundo, onde estão os subalternos, para aumentar a exploração, seja ela do trabalho ou da natureza.”

o mercado financeiro que acumula sem Estado e sem necessidade da estabilidade do trbaalho.

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